“Se não tivéssemos feito nestes cinco meses o que fizemos, o que se teria colocado ontem era a intervenção no reino de Espanha”, afirmou Mariano Rajoy.
“Como levamos cinco meses a fazer os nossos deveres, o que se acordou ontem foi uma abertura de uma linha de crédito para o nosso sistema financeiro. Uma linha de crédito europeia, para recuperar a solvência das entidades financeiras e para conseguir crédito", adiantou ainda o responsável espanhol.
Mariano Rajoy negou ter sido alvo de qualquer pressão, nomeadamente por parte do governo alemão, defendendo que esta linha de crédito já deveria ter sido negociada há três anos.
O presidente do governo espanhol também negou qualquer consequência do empréstimo para o défice espanhol, tendo deixado contudo bem claro que as reformas já encetadas vão ser aprofundadas.
“Este ano será mau", alertou Rajoy, que pediu “aos espanhóis que entendam algumas decisões duras e complicadas, mas imprescindíveis”.
”Ninguém pode esperar que se resolva um problema em poucos meses, porque não é possível”, rematou.
Espanha cede a soberania sobre o seu sistema financeiro, mas também perde soberania fiscal
A linha de crédito destinada exclusivamente aos bancos e que será cobrada, segundo avança o El Pais, a 3%, contra os 6% pagos atualmente pelo Tesouro espanhol pela dívida a 10 anos, terá como contrapartida não só a perda da soberania financeira do governo espanhol, mas também a perda da sua soberania fiscal, ao contrário do que o executivo afirmou este sábado.
O ministro da Economia, Luis de Guindos, afirmou que o empréstimo não implicava quaisquer “condições fiscais ou macroeconómicas", contudo, o comunicado do Eurogrupo desmente as suas declarações, frisando que a Espanha será monitorizada no que respeita à consolidação orçamental, reformas estruturais e mercado de trabalho. "Nós vamos vigiar e avaliar regularmente os progressos nestas áreas, em paralelo com a assistência financeira", avançam os ministros das finanças do Eurogrupo em comunicado.
As recomendações da troika são claras: aumentar o IVA, acelerar a reforma das pensões, proceder a reformas laborais ainda mais profundas.
Movimento dos Indignados organizam protestos
Ontem à noite, Madrid já foi palco de protestos organizados pelo movimento dos Indignados contra o resgate à banca espanhola. " Não devemos, não pagamos" foram as palavras de ordem mais ouvidas.