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Mariana Mortágua: "Calculo que não more numa casa para palheiro"

Na comissão eventual de inquérito às perdas do Novo Banco, questionado pelo património atual, Luís Filipe Vieira referiu que “não sei qual é a necessidade de dizer qual é o meu património neste momento”.
Mariana Mortágua na comissão eventual de inquérito às perdas do Novo Banco | ARTV

Na sessão da comissão eventual de inquérito parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, foi ouvido esta segunda-feira o empresário Luís Filipe Vieira, presidente da Promovalor.

Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, começou por questionar qual o património do empresário. “Já aqui disse que deu um aval pessoal para várias das suas dívidas, um aval pessoal que nunca ninguém executou, eu presumo que esse aval pessoal se deu porque tinha património”, referiu.

“Temos um parecer interno de 2019 em que nos diz que o único bem em seu nome é uma casa para palheiro com uma área de 162 m2 com um logradouro. Portanto, eu gostaria de lhe perguntar se tendo dado o seu aval pessoal o único património que tem de facto é esta casa para palheiro identificada nos pareceres internos do Fundo de Resolução”, questionou a deputada.

Luís Filipe Vieira respondeu que “não é verdade” e que tem mais património em seu nome. Confrontado pelo valor do património na atualidade, o empresário disse que “não sei qual é a necessidade de dizer qual é o meu património neste momento”.

A bloquista insistiu com a questão porque “o Novo Banco assumiu perdas em seu nome de 200 milhões ou mais e o que me está a dizer é que tem património e rendimento”.

Mariana Mortágua apresentou também um documento do Banco de Portugal onde é referido “que parte dos créditos concedidos pelo Novo Banco foram alocados ao pagamento de serviço de dívida de empresa e a transferência de determinados montantes para contas pessoais dos acionistas. Foi identificada, entre outras, uma transferência de 8 milhões para a conta de Luís Filipe Vieira”.

“Ouça, de certeza que eu nunca levantei dinheiro para mim. Pode pôr aí que eu nunca levantei dinheiro para mim”, foi a resposta do presidente da Promovalor.

Para terminar a sua ronda de perguntas, a deputada do Bloco questionou as várias reestruturações feitas pelo empresário. “Fez uma 2009, uma 2011 e uma em 2012. Disse-nos há pouco numa resposta que a reestruturação de 2012, que vendeu empresas suas a uma empresa do BES, aliás, não deixa de ser curioso porque a Benagil foi vendida quando valia menos de 70 euros por ação e foi vendida a 106 euros por ação. Portanto, vendeu várias das empresas ao BES, isto é apresentado como uma reestruturação, mas disse-nos aqui há pouco que foi o BES que lhe pediu para vender essas ações, confirma?”.

“Confirmo mesmo isso e foi um péssimo negócio que eu fiz”, sublinhou o empresário.

 

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