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Maria do Céu Guerra vence prémio de melhor atriz europeia

A atriz Maria do Céu Guerra ganhou o prémio Actor of Europe do Festival Internacional de Teatro. O júri salientou “a força da sua interpretação”. A Barraca em comunicado salienta também o seu “enorme mérito de trabalho teatral e humanista”.
Maria do Céu Guerra.
Maria do Céu Guerra. Foto de Dramazine7/Wikicommons

Actor of Europe é um prémio de honra que tem sido atribuído desde 2003. Distingue o percurso artístico e o contributo criativo para a memória coletiva da civilização europeia. O júri deste considerou que a atriz portuguesa Maria do Céu Guerra se encaixava na perfeição neste perfil.

O prémio é atribuído no âmbito do Festival Internacional de Teatro, um evento anual que acontece no início de julho nas margens do lago Prespa na República da Macedónia do Norte, perto da fronteira com a Grécia e a Albânia. Simbolicamente, as línguas oficiais do evento são as destes três países.

No comunicado em justifica o prémio de Actress of Europe, o Comité Artístico deste festival, presidido por Jordan Plevnes, salienta-se a “força da sua interpretação” que torna “as suas personagens inesquecíveis”. Valoriza-se também o seu papel enquanto fundadora da Barraca, em 1975, uma companhia com um “currículo tão rico” que se tornaria “cansativo enumerar todas as produções”.

Tudo isso, faz Céu Guerra juntar-se à lista de vencedores deste prémio da qual constam, entre outros, Ljuba Tadić da Sérvia, Rade Sherbedžija da Croácia), Anastas Pop Dimitrov da Bulgária, Marcel Bozonnet da França, Bruce Mayers do Reino Unido, Milena Zupančić da Eslovénia, Ion Caramitru da Roménia e Selma Alispahic da Bósnia-Herzegovina.
Em comunicado, A Barraca congratula-se com o reconhecimento do “enorme mérito de trabalho teatral e humanista de uma das figuras maiores do Teatro e da Cultura em Portugal”.
A atriz Maria do Céu Guerra de Oliveira e Silva nasceu a 26 de maio de 1943 e frequentou a licenciatura de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Nesta altura, o seu interesse pelo teatro ganha peso na sua vida. E faz parte do fundador da Casa da Comédia. Aí se estreia, em 1965, com a peça de Almada Negreiros “Deseja-se Mulher”.

Depois, profissionaliza-se no Teatro Experimental de Cascais, onde integra o elenco de muitas peças encenadas por Carlos Avilez. Faz também, na década de 70, teatro de revista e comédia. Regressa em seguida à Casa da Comédia onde trabalha com Morais e Castro e Luís de Lima.

Depois da revolução dos cravos, integra o grupo fundador do Teatro Àdóque-Cooperativa de Trabalhadores de Teatro. No ano seguinte funda a companhia de teatro A Barraca, onde se fixou desde então.

Maria do Céu Guerra também tem feito cinema. Desde “O Mal-Amado” de Fernando Matos Silva, em 1974, à “Crónica dos Bons Malandros” de Fernando Lopes, em 1984, a “Os Cornos de Cronos" de José Fonseca e Costa, em 1991, a “O Anjo da Guarda”, de Margarida Gil, em 1998, a “Os Gatos não têm Vertigens” de António-Pedro Vasconcelos, em 2015.

Para além disso, fez várias peças em televisão como “O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente, tendo ainda participado em séries em séries e telenovelas como “Residencial Tejo”, “Vamos Contar Mentiras”, “Jardins Proibidos” e “A Impostora”.

Esta está longe de ser a primeira vez que a atriz ganha um prémio. Aliás, tem sido premiada desde o início dos anos 70, altura em que ganhou prémio da Casa da Imprensa na categoria de Teatro de Revista.

Nos anos 80, ganhou prémios da Associação Portuguesa de Críticos (1980 e 1983), repetiu o prémio da Casa da Imprensa (1981), ganhou o Sete de Ouro para Melhor Actriz (1983).

Foi ainda condecorada com a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e com a Ordem do Infante D. Henrique.

Mais recentemente, recebeu um Globo de Ouro de Melhor Atriz de Teatro em 2007 e o mesmo prémio na categoria de Cinema em 2015 pelo filme “Os Gatos Não Têm Vertigens”. O mesmo que lhe valeu o Prémio Sophia de Melhor Atriz atribuído pela Academia Portuguesa de Cinema.

Este ano, já tinha recebido o “Prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural”.

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