Lutas

Manifestações chumbam medidas do Governo para a habitação

21 de março 2026 - 18:19

Em 16 cidades do país, as manifestações “Casa para Viver” exigiram regulação das rendas e congelamento das prestações nos valores anteriores ao início da guerra no Irão.

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Cartaz com Luís Montenegro como agente imobiliário
Manifestantes criticaram políticas do Governo por agravarem a crise da habitação . Foto de Rafael Medeiros.

As manifestações “Casa para Viver” voltaram a juntar milhares de pessoas em 16 cidades contra a crise da habitação e as medidas que o Governo tem apresentado e que acusam de apenas favorecerem a especulação e alimentarem a subida de preços das casas.

“Os preços das rendas e do metro quadrado em Portugal só tem aumentado, hoje o metro quadrado está em cinco mil euros e a renda está muito acima do salário mínimo em Portugal”, afirmou uma das organizadoras à RTP em Lisboa.

A regulação das rendas e o congelamento das prestações aos valores de fevereiro - antes do início da guerra no Irão -, bem como o investimento público em habitação são as três principais reivindicações do movimento.

Faixa do Bloco na manifestação Casa para Viver
Faixa do Bloco na manifestação Casa para Viver em Lisboa. Foto de Rafael Medeiros.

“O Governo apresentou uma série de propostas que não respondem ao problema. Não cremos que aumentar os despejos e libertar imobiliário para a especulação financeira seja a solução. Essa solução passa por regular as rendas, apoios para os inquilinos e acabar com os mecanismos de especulação financeira. A crise da habitação não resolvida com mais despejos, é resolvida com medidas para quem arrenda ou compra casa, para quem precisa de casa para viver”, disse à SIC outro dos organizadores da plataforma Casa para Viver. Ao seu lado, outra jovem manifestante reforça o argumento: “Se a vida já é precária e os salários já não chegam, não percebo de que forma é que os despejos vão ajudar a resolver a situação da habitação”.

Na manifestação do Porto, uma jovem de 25 anos que ainda não conseguiu arranjar casa para sair de casa dos pais diz não conseguir perceber “como é que o Governo acha que 2.300 euros é uma renda acessível”. Também um membro da associação de moradores de Felgueiras foi manifestar-se e aproveitou para denunciar o IHRU por ter no seu bairro cerca de 20 casas desocupadas há dois anos, ao mesmo tempo que estão inscritas pessoas e não as podem ocupar.

Manifestação “Casa paa Viver” no Porto
O Bloco na manifestação “Casa para Viver” no Porto. Foto de Helga Calçada

”O Governo apresentou medidas de estímulo ao mercado. A crise que temos é o mercado a funcionar”

O coordenador do Bloco de Esquerda participou na manifestação em Lisboa a acusou o Governo de anunciar “medidas de proteção do mercado como se a crise de habitação que temos não fosse o mercado a funcionar”.

E o “mercado a funcionar”, prosseguiu José Manuel Pureza, “é a falta de habitação para gente mais nova, os preços exorbitantes para famílias de classe trabalhadora e da classe média e a prestação da casa a subir brutalmente”.

Para responder à crise da habitação, Pureza distingue entre medidas de curto prazo, com as que o Bloco vem defendendo para estabelecer limites às rendas, com medidas de médio e longo  prazo, como o investimento público em habitação, pois “sem um parque público robusto não há regulação do mercado que possa acontecer”. Por outro lado, “é necessária uma política de crédito à habitação que tenha regras muito disciplinadas e nessa matéria a Caixa Geral de Depósitos tem um papel fundamental”, acrescentou.