As manifestações “Casa para Viver” voltaram a juntar milhares de pessoas em 16 cidades contra a crise da habitação e as medidas que o Governo tem apresentado e que acusam de apenas favorecerem a especulação e alimentarem a subida de preços das casas.
“Os preços das rendas e do metro quadrado em Portugal só tem aumentado, hoje o metro quadrado está em cinco mil euros e a renda está muito acima do salário mínimo em Portugal”, afirmou uma das organizadoras à RTP em Lisboa.
A regulação das rendas e o congelamento das prestações aos valores de fevereiro - antes do início da guerra no Irão -, bem como o investimento público em habitação são as três principais reivindicações do movimento.
“O Governo apresentou uma série de propostas que não respondem ao problema. Não cremos que aumentar os despejos e libertar imobiliário para a especulação financeira seja a solução. Essa solução passa por regular as rendas, apoios para os inquilinos e acabar com os mecanismos de especulação financeira. A crise da habitação não resolvida com mais despejos, é resolvida com medidas para quem arrenda ou compra casa, para quem precisa de casa para viver”, disse à SIC outro dos organizadores da plataforma Casa para Viver. Ao seu lado, outra jovem manifestante reforça o argumento: “Se a vida já é precária e os salários já não chegam, não percebo de que forma é que os despejos vão ajudar a resolver a situação da habitação”.
Na manifestação do Porto, uma jovem de 25 anos que ainda não conseguiu arranjar casa para sair de casa dos pais diz não conseguir perceber “como é que o Governo acha que 2.300 euros é uma renda acessível”. Também um membro da associação de moradores de Felgueiras foi manifestar-se e aproveitou para denunciar o IHRU por ter no seu bairro cerca de 20 casas desocupadas há dois anos, ao mesmo tempo que estão inscritas pessoas e não as podem ocupar.
”O Governo apresentou medidas de estímulo ao mercado. A crise que temos é o mercado a funcionar”
O coordenador do Bloco de Esquerda participou na manifestação em Lisboa a acusou o Governo de anunciar “medidas de proteção do mercado como se a crise de habitação que temos não fosse o mercado a funcionar”.
E o “mercado a funcionar”, prosseguiu José Manuel Pureza, “é a falta de habitação para gente mais nova, os preços exorbitantes para famílias de classe trabalhadora e da classe média e a prestação da casa a subir brutalmente”.
Para responder à crise da habitação, Pureza distingue entre medidas de curto prazo, com as que o Bloco vem defendendo para estabelecer limites às rendas, com medidas de médio e longo prazo, como o investimento público em habitação, pois “sem um parque público robusto não há regulação do mercado que possa acontecer”. Por outro lado, “é necessária uma política de crédito à habitação que tenha regras muito disciplinadas e nessa matéria a Caixa Geral de Depósitos tem um papel fundamental”, acrescentou.