Greve

Manifestação em frente à sede do Grupo Amorim exigiu aumento de salários

02 de agosto 2024 - 12:11

Manifestação de trabalhadores corticeiros juntou centenas por aumentos salariais contra o aumento do custo de vida. O Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte fala em obstáculos colocados pelo Grupo Amorim enquanto os trabalhadores negoceiam o contrato coletivo de trabalho com os patrões.

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Manifestação de trabalhadores corticeiros
Fotografia de Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte

Centenas de trabalhadores corticeiros manifestaram-se no dia 31 de julho em frente à sede do Grupo Amorim, no concelho de Santa Maria da Feira. O protesto, organizado pelo Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte (SOCN) acontece no momento em que trabalhadores e patrões negoceiam o contrato coletivo de trabalho.

O sindicato reivindica um aumento de 72€ no salário e de 1,46€ no subsídio de alimentação. A intenção, como tem sido explicado, é que o salário dos corticeiros não perca poder de compra em relação ao salário mínimo e principalmente em relação ao aumento dos preços da habitação e dos alimentos.

No entanto, e apesar das dezenas de milhões de euros de lucro do setor da cortiça, os patrões recusam os aumentos reivindicados pelos trabalhadores e contrapõem com 36€ nos salários e 0,21€ no subsídio de alimentação. Ou seja, valores que aproximam o salário dos corticeiros cada vez mais do salário mínimo nacional (que em janeiro aumentou 60€) e que têm como principal consequência o empobrecimento de milhares de trabalhadores, uma vez que tais valores não permitem sequer fazer face ao aumento do custo de vida.

O SOCN acusa o Grupo Amorim de ser o principal obstáculo ao acordo e de se desculpar com uma suposta crise quando ao mesmo tempo tem fábricas de enorme dimensão a fazer horas extra, tais são as encomendas.

Em 2023, a Corticeira Amorim teve um lucro de 89 milhões de euros e este ano anunciou já a distribuição de 27 milhões de euros em dividendos pelos seus acionistas. Entretanto, só nos primeiros seis meses de 2024, os lucros da corticeira já ascenderam a 36,5 milhões de euros.

Estes valores foram lembrados pelo Bloco de Esquerda que esteve presente na manifestação. O dirigente do Bloco Moisés Ferreira, falando aos trabalhadores a convite do Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, manifestou solidariedade para com a greve e começou por dizer que “as lutas dos trabalhadores, como esta, é que fizeram o mundo avançar e que o sucesso dos corticeiros nas suas reivindicações será o sucesso para muitos trabalhadores de outros setores que também precisam de ver os seus salários aumentados”. 

Lembrando os lucros da Corticeira Amorim, perguntou: “alguém acredita que com quase 40 milhões de lucro em seis meses os patrões não têm dinheiro para aumentar os trabalhadores em 70€? Até têm para aumentar em 100€ ou 150€. O problema é que os patrões querem sempre pagar o mínimo possível. Por isso é que é importante esta greve e esta luta. Para fazer que a riqueza que é produzida pelos corticeiros volte aos corticeiros em forma de salário”.

Grupo Amorim despede mais de 100 trabalhadores enquanto continua a registar lucros de dezenas de milhões

Mais de 100 operários da Amorim Cork Flooring fizeram uma marcha fúnebre da fábrica até à sede do Grupo Amorim, onde se juntaram à manifestação. Erguiam bandeiras negras e acusavam o Grupo Amorim de estar a matar a empresa e a pressionar os trabalhadores para irem embora. Mais de 100 trabalhadores desta empresa já foram pressionados a sair através de rescisões amigáveis. Isto enquanto o Grupo Amorim continua a acumular dezenas de milhões de euros de lucros e continua a usufruir de fundos europeus para investir nas empresas.

Os trabalhadores da Cork Flooring acusaram ainda o grupo de estar a reduzir turnos e de pressionar os trabalhadores a aceitarem novas condições de trabalho com as quais podem vir a perder mais de 300 euros por mês. O Bloco de Esquerda vai questionar o Governo sobre estes despedimentos em curso.