Genocídio

Mais F-35 a caminho das Lajes, Israel admite conversas com Governo

10 de outubro 2025 - 10:53

Paulo Rangel disse desconhecer a escala de três caças F-35 na base das Lajes a caminho de Israel. Embaixada israelita diz que discussão entre governos acontece “em salas fechadas”. Para Mariana Mortágua, "a mentira do Governo ao povo português transformou o nosso país em cúmplice do maior crime contra a humanidade".

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Paulo Rangel e os caças F-35
Paulo Rangel e os caças F-35

O semanário Expresso noticia esta sexta-feira que estão previstas mais entregas de caças F-35 dos EUA para Israel e a base das Lajes pode voltar a servir de escala para os bombardeiros que foram usados nos ataques a Gaza e ao Irão. O Governo não diz o que fará, mas o embaixador de Israel responde por ele, afirmando que “tais assuntos são discutidos em salas fechadas entre as partes”.

A polémica rebentou na semana passada, quando se soube que três caças F-35 fizeram escala na base das Lajes a caminho de Israel em abril, depois de o Governo espanhol não ter autorizado que o fizessem em seu território . O Governo português reagiu com embaraço e depois de algumas horas de “ping-pong” de responsabilidades entre os Ministérios de Nuno Melo e Paulo Rangel, acabou por ser este a vir a público admitir uma “falha de procedimento”.

Em causa ficou a promessa deixada no ano passado por Luís Montenegro na Assembleia da República - no meio de outra polémica sobre um navio com bandeira portuguesa que transportava armas para o genocídio - de que negaria quaisquer pedidos de passagem por Portugal de material militar destinado a Israel.

Agora apanhado a fazer o contrário do que se comprometeu perante os deputados, Luís Montenegro disse aos jornalistas que estes caças ao serviço da aviação israelita, dos mais avançados do mundo, “não são propriamente armamento militar”. Também a jogar com as palavras, Rangel veio dizer que “não foi estritamente violado o compromisso” do Governo “nesta matéria” com a escala destes aviões militares nas Lajes.

Mentira do Governo “transformou o nosso país em cúmplice” do genocídio

À margem de uma ação de campanha nas ruas do Porto, Mariana Mortágua criticou a existência de “reuniões escondidas” para tratar da passagem por Portugal “das mais avançadas armas de guerra do mundo” com destino ao genocídio de Gaza.

Para a coordenadora do Bloco, esta notícia “coloca em causa a palavra do primeiro-ministro, que disse que isso não aconteceria, e torna Portugal num cúmplice direto do genocídio contra a vontade do povo português”.

“O Governo mentiu ao povo português e essa mentira transformou o nosso país em cúmplice do maior crime contra a humanidade”, concluiu Mariana Mortágua, assegurando que o Bloco irá pedir explicações ao Governo sobre mais este caso.

Ouvida pelo Expresso, a ex-diplomata e eurodeputada Ana Gomes, que investigou a passagem pelas Lajes dos voos clandestinos da CIA no tempo da guerra do Iraque, afirma que “é difícil passarem coisas piores do que armamento para executar um genocídio” e que o caso dos F-35 “revela total negligência do exercício de soberania nacional” e põe o país em risco de vir a ser acusado na justiça internacional de colaborar com o genocídio.