Mais de um quarto das trabalhadoras ganha o salário mínimo

28 de maio 2021 - 9:49

O estudo da CGTP sobre desigualdade salarial tem em conta os dados do emprego de 2020 divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística. E conclui que a pandemia agravou ainda mais as perdas salariais para as mulheres trabalhadoras.

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Mulheres na paragem do autocarro
Foto de Paulete Matos

26% das mulheres trabalhadoras em Portugal recebem o salário mínimo e 8.5% estão em situação de pobreza apesar de trabalharem, refere o estudo da central sindical CGTP citado pela agência Lusa.

Apoiando-se nos dados do  Instituto Nacional de Estatística relativo aos números do emprego em 2020, o estudo diz que dos 827 mil trabalhadores com salário mínimo - quase um quarto do total de trabalhadores no setor privado -, 424 mil eram mulheres.

O Gabinete de Estudos Sociais da CGTP destaca ainda o peso do emprego feminino nas nove atividades onde o peso do salário mínimo nacional era mais elevado entre as mulheres. É o caso do setor têxtil e o calçado, com cerca de 52% das trabalhadoras nessa situação. Acima dos 40% estão a indústria alimentar e de bebidas, a indústria das madeiras e mobiliário, o alojamento e restauração ou a fabricação de produtos minerais não metálicos.

"Como consequência dos baixos salários auferidos, em 2019, 8,5% das mulheres trabalhadoras eram pobres mesmo após transferências sociais, ou seja, mesmo depois de receberem as prestações sociais de que são beneficiárias", diz ainda o documento.

Apesar de constituírem a maioria da força de trabalho assalariado em Portugal, as mulheres continuam a ganhar menos 14% que os homens. Uma diferença que sobe para os 26.1% no caso dos quadros superiores. Se as contas forem feitas aos ganhos mensais, que incluem prémios e trabalho extraordinário, a média geral da diferença salarial passa de 14% para 17.8%.

Quanto ao impacto da pandemia nos salários, a CGTP recorre aos números da Organização Internacional do Trabalho, que coloca Portugal na posição do país com as maiores perdas salariais entre o primeiro e o segundo trimestre de 2020, com uma perda de 13.5% do salário em média, entre os 28 países analisados. Também aqui, as mulheres foram as mais afetadas, perdendo 16% face aos 11.4% dos homens trabalhadores.

Este estudo vai servir de base de discussão para a 8.ª Conferência Nacional da Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens, que se realiza em Lisboa, no dia 2 de junho.

Num balanço do que foi alcançado nos últimos anos, Fátima Messias, da Comissão Executiva da CGTP e coordenadora da sua Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens, disse à agência Lusa que “conseguimos ultrapassar alguns conflitos, através da contratação coletiva, mas a pandemia, nomeadamente com o teletrabalho, veio agravar as desigualdades".

Entre os avanços conseguidos, a dirigente da CGTP destaca os direitos de maternidade e parentalidade, de modo a não prejudicar quem os goze, em termos de carreiras ou prémios que dependem da assiduidade. No entanto, nas "matérias estruturantes, como os salários e os horários de trabalho, não têm sido conseguidos avanços”, muito devido aos bloqueios da contratação coletiva e da ameaça da caducidade dos contratos coletivos vigentes.