O Ponto Nacional de Informações sobre o Desporto da PSP registou entre agosto e o final de dezembro 64 casos de insultos racistas, xenofobia, incitamento à violência e agressões. Estes resultaram na expulsão dos recintos desportivos de 50 dos 312 infratores detetados. A maior parte das situações ocorreu em jogos de futebol e o número diz respeito apenas aos casos que resultaram em acusações por crime, contraordenações ou participações disciplinares.
O Jornal de Notícias refere que “pelas ocorrências registadas em apenas metade desta época, é possível perceber que as estatísticas da violência deverão estar acima da do período pré-pandémico”. Em toda a época 2019/2020 tinha havido 73. Na anterior 89. Segundo o PNID, "na primeira metade desta época, verificou-se um total de 1.569 incidentes em recintos desportivos. Na época anterior foram 2.335 e em 2019/2020 contabilizamos 1719 incidentes. Em 2018/2019 foram 3.891”.
Roberto Domingues, coordenador desta estrutura, diz que a explicação do aumento de casos de violência e racismo está na reabertura dos estádios aos adeptos, mas também por uma maior proatividade da PSP em fiscalizar e travar este tipo de situações”. Identifica a primeira liga de futebol como o foco mais problemático, apesar de considerar que “infelizmente o fenómeno também está nas competições inferiores mas em números muito menores”. Para ele, a a violência no futebol é “um fenómeno volátil” que “depende de muitos fatores como os resultados das equipas em campo”.
Haverá cerca de 500 adeptos a serem monitorizados pelas polícias. E uma fonte policial não identificada, citada pelo mesmo jornal, destaca a importância dos chamados “casuals” para o aumento da violência nos recintos desportivos. Ao contrário das claques organizadas, estes elementos são difíceis de detetar: organizam-se em grupos secretos utilizando aplicações de mensagens encriptadas, várias vezes nem assistem aos jogos, deslocam-se utilizando meios próprios, atacam não apenas perto dos estádios na altura dos jogos mas também fazem emboscadas nas ruas a rivais ou marcam encontros específicos para medir forças.