Mais de 500 presos do Bahrein em greve de fome

19 de agosto 2023 - 13:05

Há 1.200 presos políticos no país. Alguns desde as manifestações da Primavera Árabe em 2011. Os detidos exigem melhores condições e acesso a cuidados de saúde.

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Protestos no Bahrein em 2011. Foto: Bahrain.Viewbook/Wikimedia Commons.
Protestos no Bahrein em 2011. Foto: Bahrain.Viewbook/Wikimedia Commons.

Há atualmente pelo menos 500 presos em greve de fome na prisão de Jau no Bahrein devido às condições de detenção. Muitos deles são presos políticos. O país tem uma das maiores taxas de encarceramento per capita do Médio Oriente. Com apenas 1,5 milhões de habitantes, há perto de 3.800 pessoas presas, 1.200 das quais são presos políticos.

Os grevistas emitiram uma declaração através do partido Al-Wefaq, ilegalizado no Bahrein, na qual explicam que querem coisas como mais tempo fora das celas, atualmente limitado a uma hora por dia, o direito a rezar juntos na mesquita da prisão, melhorias nas instalações educativas, acesso ao cuidados de saúde dignos e alterações às limitações impostas às visitas familiares. Afirmam que não são “exigências frívolas mas necessárias a uma vida humana”.

A situação foi confirmada ao jornal britânico Guardian por Sayed Alwadaei do Bahrain Institute for Rights and Democracy que conta que, desde o passado dia 7, houve presos a começar a recusar alimentação e que, em seguida, muitos outros se lhes foram juntando num movimento cuja escala classifica como “esmagadora”.

O país conheceu uma onda de manifestações em 2011 durante o movimento que varreu a região e ficou conhecido como a primavera árabe. Então, muitos ativistas e políticos foram presos e dois partidos da oposição foram proibidos.

Um dos que está detido desde então é Abdulhadi al-Khawaja, ativista dos direitos humanos e fundador do Bahrain Centre for Human Rights. Foi condenado a prisão perpétua pela participação no movimento. A sua filha, Maryam al-Khawaja, confirma a greve de fome do pai e explica que, no seu caso, a exigência central passa por acesso a tratamento médico adequado para a sua arritmia cardíaca, depois de uma consulta com um cardiologista ter sido impedida por 11 vezes. Maryam diz àquele jornal que o pai “está em risco de sofrer um ataque cardíaco ou derrame a qualquer momento” e que deverá precisar “de uma cirurgia urgente para instalar um pacemaker.”

Em dezembro do ano passado, um voto no Parlamento Europeu exigia a sua libertação. Marisa Matias MEP dizia então que “os direitos humanos no Bahrein não podem ser manipulados pelos interesses políticos de grupos como o Partido Popular Europeu”, saudando a “clareza” da tomada de posição sobre a detenção de Abdulhadi Al-Khawaja.

A eurodeputada bloquista referia-se às tentativas do PPE de “tentar constantemente bloquear qualquer crítica ao governo do Bahrein na resolução”, tendo terminado “finalmente por se retirar do voto” explicava então o grupo parlamentar europeu GUE.

Também os familiares do dissidente Ahmed Jaafar Mohamed Ali informam da sua adesão a greve da fome e querem saber das suas condições físicas depois de ter sido atacado pelos guardas prisionais com gás pimenta na cara, atado e levado para a solitária.