Casa para Viver

Mais de 50 organizações convocam nova manifestação pelo direito à habitação

04 de março 2026 - 11:20

Contra as medidas do Governo “que só premeiam quem lucra com a nossa crise”, a Plataforma Casa para Viver apela à participação nas manifestações de 21 de março já convocadas m várias cidades.

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cartaz

A crise da habitação acentuou-se no último ano e para mais de meia centena de organizações e coletivos não faltam razões para voltar a sair à rua em protesto contra as medidas do Governo. “Desde o primeiro pacote de medidas, os preços das casas já subiram 27%, e continuam a acelerar, com Lisboa acima dos cinco mil euros por metro quadrado”, diz a Plataforma Casa para Viver na convocatória das manifestações de dia 21 de março.

Em Lisboa, a manifestação vai do Marquês de Pombal ao Rossio, com início às 15h. À mesma tem início a manifestação no Porto (Praça da Batalha) e em Coimbra (Ponte de Santa Clara. Às 17h em Leiria, o encontro é na Fonte Luminosa.

A Plataforma contesta a recente medida que define o valor de uma “renda moderada” até aos 2.300 euros, oferece “uma poupança fiscal aos senhorios até 4.140 euros por ano só em IRS” e “até casas de 660 mil euros passam a ser “moderadas” e a ter também presentes fiscais”.

“Na prática, o Governo e os partidos que têm deixado passar estas medidas puxam os preços para cima e normalizam o absurdo, premiando senhorios, promotores e fundos imobiliários”, prossegue a convocatória, criticando também o fim de algumas conquistas do movimento nos últimos anos, como o limite aos aumentos de rendas ou o agravamento fiscal do alojamento local.

Ante a incapacidade do IHRU e a “miragem” das promessas de construção de milhares de casa, continuam os despejos, as famílias a viver em casas sobrelotadas, o regresso das barracas sem água nem luz e “há quem volte do trabalho para dormir numa tenda”. A plataforma defende que “acabar com a crise da habitação faz-se colocando travões às rendas, fazendo cumprir a função social da habitação, combatendo casas vazias ou usadas pelo turismo, regulando o mercado e travando a especulação, além de aumentar o parque público de qualidade”.  

A convocatória é subscrita por mais de meia centena de associações e coletivos como o 1.º Esquerdo - direito à habitação digna, SOS Racismo, A Coletiva, Casa do Brasil, ida Justa, Moradores de Arroios, Tirem as mãos do litoral alentejano, Largo Residências, ODET, entre muitos outros.