Um inquérito às mulheres que trabalham no mundo do futebol em Inglaterra mostra que 82% delas dá conta de terem sofrido alguma forma de discriminação, entre as quais comportamentos sexistas, assédio sexual ou comentários depreciativos sobre as suas capacidades de trabalho baseados no seu género. Este número representa um aumento relativamente aos 66% registados em 2020 num inquérito semelhante.
O estudo foi feito pela organização Women in Football e nele constam outros dados esclarecedores acerca dos problemas enfrentados pelas mulheres que trabalham neste setor. Por exemplo, apenas 23% das mulheres que foram discriminadas disseram sentir que poderiam relatar ao seu empregador o sucedido e 93% delas assinalaram terem enfrentado obstáculos no decurso da sua carreira por questões de género.
Apesar disto, a grande maioria também se revela otimista acerca do futuro das mulheres nos trabalhos relacionados com o futebol: 89% sentem que este será melhor e 67% julgam que podem ser bem sucedidas no seu trabalho
A Women In Football diz que é preciso maior transparência nos dados sobre emprego para facilitar a compreensão do que está na mesma e do que estará a mudar. Ao Guardian, a sua dirigente Yvonne Harrison afirma que “o sexismo pode arruinar carreiras e vidas” e que “tristemente se está a tornar mais difundido”, sendo preciso “tolerância zero para com os perpetradores”.
Ela sublinha que os números mostram que cada vez mais pessoas estão a reportar casos de discriminação mas que “ainda não é o suficiente” e que “o fator medo” é ainda “verdadeiramente significativo”.