Não será por si que Michelle Caruso-Cabrera está a conseguir consenso por parte dos especuladores financeiros de Wall Street. Entre os que lhe destinaram donativos estão nomes sonantes como David Solomon da Goldman Sachs, Stephen Schwarzman da Blackstone, o bilionário do “capital de risco” Paul Tudor Jones, entre muitos outros. É mesmo contra Alexandria Ocasio-Cortez, tornada uma das estrelas do setor progressista do partido Democrata.
As primárias para o 14º distrito de Nova Iorque, que cobre a parte leste do Bronx e o norte de Queens, acontecem já a 23 de junho. Ocasio-Cortez enfrenta uma ex-jornalista da CNBC na corrida para a nomeação democrata de um lugar que, tradicionalmente, não foge a este partido.
A desvantagem de Caruso-Cabrera não está apenas ligada à popularidade alcançada pela detentora do cargo, conhecida pelas suas iniciais, AOC. Até 2015, estava registada como republicana e ainda em 2010 tinha escrito um livro intitulado "You Know I'm Right: More Prosperity, Less Government". A defesa do princípio de “menos governo” vinha junta com o reconhecimento ao seu presidente favorito, Ronald Reagan. O que faz Ocasio-Cortez responder que por isso “não é surpreendente que republicanos financiem a campanha de uma republicana de toda a sua vida numas primárias democratas”. “Estes doadores preferem bancar uma candidata que responde mais a Wall Street do que às necessidades dos nossos eleitores”, acrescenta ao Financial Times.
Os dados da Comissão Federal Eleitoral mostram que os montantes doados à campanha de Caruso-Cabrera foram doseados. O co-fundador da Blackstone deu 2.800 dólares mas mais cinco quadros da empresa doaram iguais quantias. O mesmo se passou na Goldaman Sachs. O administrador executivo também doou essa quantia exata. E três outros funcionários da empresa seguiram-no na doação e no montante. Tal como Paul Tudor Jones. Não estão sozinhos. Membros de empresas como a Evercore, a Elliott Management e a Apollo Global Management também contribuíram.
Ainda assim, até ao momento a candidata opositora continua a perder no campeonato da recolha de fundos. Soma dois milhões de dólares, enquanto Ocasio-Cortez, que não recebe donativos de empresas e lóbistas, já arrecadou mais de 10,5 milhões. A média dos donativos recebidos por AOC é de dez dólares, segundo as contas do Financial Times.
Wall Street is pouring *millions of dollars* to unseat me in this Tuesday’s election.
That’s what happens when you put people before profit. But take it from me: we CANNOT take this seat for granted.
NY14: VOTE TODAY or this Tuesday. Bring friends + fam: https://t.co/K2L7BQ8pIy https://t.co/yaYFTqoDNv
— Alexandria Ocasio-Cortez (@AOC) June 18, 2020
Na sua conta do Twitter, AOC diz que o investimento de Wall Street é resultado dela “preferir as pessoas ao lucro”. E na sua página de campanha apresenta-se como lutando por “políticas progressistas que possam criar justiça social, racial e económica para todos”, lutando por um país que “funcione para todos nós, não apenas para os ricos”.
A better world is not only possible, it is within our reach.
From mutual aid in our communities to solidarity in the streets, the people of New York have already started to reshape our future.
It’s time to bring the movement to the voting booth.
VOTE this Tuesday, June 23rd. pic.twitter.com/boXm0U4sZ4
— Alexandria Ocasio-Cortez (@AOC) June 18, 2020