Magnatas de Wall Street financiam campanha da rival de Ocasio-Cortez

19 de junho 2020 - 17:04

Entre eles estão os CEO da Goldman Sachs e da Blackstone. As primárias democratas para o 14º distrito de Nova Iorque são a 23 de junho. A candidata progressista não recebe dinheiro de empresas e lóbis.

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Alexandria Ocasio-Cortez em campanha. Foto do seu Instagram.
Alexandria Ocasio-Cortez em campanha. Foto do seu Instagram.

Não será por si que Michelle Caruso-Cabrera está a conseguir consenso por parte dos especuladores financeiros de Wall Street. Entre os que lhe destinaram donativos estão nomes sonantes como David Solomon da Goldman Sachs, Stephen Schwarzman da Blackstone, o bilionário do “capital de risco” Paul Tudor Jones, entre muitos outros. É mesmo contra Alexandria Ocasio-Cortez, tornada uma das estrelas do setor progressista do partido Democrata.

As primárias para o 14º distrito de Nova Iorque, que cobre a parte leste do Bronx e o norte de Queens, acontecem já a 23 de junho. Ocasio-Cortez enfrenta uma ex-jornalista da CNBC na corrida para a nomeação democrata de um lugar que, tradicionalmente, não foge a este partido.

A desvantagem de Caruso-Cabrera não está apenas ligada à popularidade alcançada pela detentora do cargo, conhecida pelas suas iniciais, AOC. Até 2015, estava registada como republicana e ainda em 2010 tinha escrito um livro intitulado "You Know I'm Right: More Prosperity, Less Government". A defesa do princípio de “menos governo” vinha junta com o reconhecimento ao seu presidente favorito, Ronald Reagan. O que faz Ocasio-Cortez responder que por isso “não é surpreendente que republicanos financiem a campanha de uma republicana de toda a sua vida numas primárias democratas”. “Estes doadores preferem bancar uma candidata que responde mais a Wall Street do que às necessidades dos nossos eleitores”, acrescenta ao Financial Times.

Os dados da Comissão Federal Eleitoral mostram que os montantes doados à campanha de Caruso-Cabrera foram doseados. O co-fundador da Blackstone deu 2.800 dólares mas mais cinco quadros da empresa doaram iguais quantias. O mesmo se passou na Goldaman Sachs. O administrador executivo também doou essa quantia exata. E três outros funcionários da empresa seguiram-no na doação e no montante. Tal como Paul Tudor Jones. Não estão sozinhos. Membros de empresas como a Evercore, a Elliott Management e a Apollo Global Management também contribuíram.

Ainda assim, até ao momento a candidata opositora continua a perder no campeonato da recolha de fundos. Soma dois milhões de dólares, enquanto Ocasio-Cortez, que não recebe donativos de empresas e lóbistas, já arrecadou mais de 10,5 milhões. A média dos donativos recebidos por AOC é de dez dólares, segundo as contas do Financial Times.

Na sua conta do Twitter, AOC diz que o investimento de Wall Street é resultado dela “preferir as pessoas ao lucro”. E na sua página de campanha apresenta-se como lutando por “políticas progressistas que possam criar justiça social, racial e económica para todos”, lutando por um país que “funcione para todos nós, não apenas para os ricos”.