Madagáscar: presidente foge do país, grupo militar controla a situação

13 de outubro 2025 - 18:36

No fim de semana, uma poderosa unidade militar tinha anunciado passar a apoiar os manifestantes da “Gen Z” e passou a controlar militarmente o país.

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Soldados malgaxes juntam-se aos manifestantes.
Soldados malgaxes juntam-se aos manifestantes. Foto de RAZAFINDRAKOTO MAMY/EPA,

Andry Rajoelina, presidente da República de Madagáscar, terá saído do país a bordo de um avião militar francês, confirmam várias fontes a meios de comunicação social como a RFI e a agência noticiosa Reuters.

A fuga segue-se a notícias deste fim de semana de que uma unidade chave militar tinha deixado de lhe ser leal, juntando-se aos manifestantes da "geração Z". Ao longo de duas semanas, pelo menos 22 pessoas foram mortas num contexto de repressão aos manifestantes, de acordo com números da ONU e a força das manifestações contra os cortes de energia, a pobreza e a corrupção tinha já obrigado o presidente a demitir o governo. Para o lugar de chefe do executivo foi nomeado em seguida o general Ruphin Fortunat Zafisambo. Só que este acabou por ser rejeitado pelos manifestantes que, na passada quarta-feira, recusaram ainda o convite para entrar em conversações com Rajoelina.

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Este sábado, a unidade militar CAPSAT, Corpo de Administração de Pessoal e Serviços Administrativos e Técnicos do exército, tinha anunciado que se tinha juntado aos manifestantes. Houve depois disso confrontos entre esta e os gendarmes que resultaram num morto.

Rajoelina, que se tornou cidadão francês a partir de 2014, terá contado com o apoio de Macron para sair. Fontes diplomáticas deste país asseguram contudo à RFI que a França não vai intervir militarmente no país. O presidente denunciou que estava a acontecer um golpe de Estado. E, poucas horas depois, o CAPSAT reivindicava controlar todas as forças. Um encontro entre o ministro da Defesa e os altos comandos militares do país nomeou o general Demosthene Pikulas como novo chefe de Estado-Maior e os gendarmes, a força que até agora reprimia os protestos, passaram a ser comandados pelo general Nonos Mbina Mamelison, sem o presidente da República ter sido ouvido nem achado.

Depois da saída do presidente em exercício, o partido mais votado da oposição quer que este seja destituído por "abandono do posto". Esse partido, o TIM, é liderado pelo ex-presidente Marc Ravalomana, deposto também ele em 2009 depois de um outro levantamento popular.

Os repórteres da France-Presse contam que a praça em frente a Câmara de Antananarivo se encheu de pessoas com bandeiras, gritando palavras de ordem que apelavam à demissão do Presidente e confraternizando com as forças da CAPSAT. Esta também tinha sido decisiva em 2009 na altura dos protestos de então, ao apoiar Rajoelina, na altura presidente da Câmara da capital, que acabou por chegar à presidência através de um golpe.

Esta CAPSAT não é uma unidade de combate em frente militar. O seu poder advém do facto de controlar a gestão de pessoal, a logística e os serviços técnicos. A analista política Rose Mumanya, especialista nas forças militares da região, explica à Deutsche Welle que esta “é dirigida por elites influentes” e tem “ligações próximas às elites de negócios do país”, “muitas das quais não são agora pró-Rajoelina” pois “nos últimos três ou quatro anos têm passado a suspeitar cada vez mais de Rajoelina e a questionar se os seus interesses estão alinhados”

Do outro campo da elite política e empresarial há sinais de fuga, a BBC relata que Christian Ntsay, ex-primeiro-ministro e próximo do presidente e Maminiaina Ravatomanga, empresário também ele afim a Rajoelina, voaram “urgentemente” no domingo para as Ilhas Maurícias. O governo deste país confirma o facto.