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Luta dos trabalhadores da PT/Altice "já está a resultar"

Referindo-se à proposta comum de Bloco, PS e PCP sobre o regime de transmissão de estabelecimento, o secretário geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou que esta é "uma conquista importante".
Foto de José Coelho, Lusa.

Durante a vigília que teve lugar esta segunda-feira em frente à sede da Altice Portugal, em Lisboa, e que contou também com a presença da deputada do Bloco Mariana Mortágua, Arménio Carlos destacou que a nova lei sobre a transmissão de estabelecimento, que prevê a possibilidade de os trabalhadores se oporem a serem transferidos para outra empresa, é "uma conquista importante".

"Acima de tudo, o que podemos dizer hoje é que a luta dos trabalhadores da Altice já está a resultar, ou seja, o facto de terem denunciado o comportamento da Altice", que "não é mais do que um despedimento encapotado", originou “não só a sensibilização da opinião pública, o apoio popular, mas também uma outra sensibilização dos partidos políticos, nomeadamente do PS, PCP e Bloco de esquerda", frisou o dirigente sindical.

Com o novo projeto de lei, Arménio Carlos sinalizou que este é um "caminho que já valeu a pena percorrer", esperando que tal se torne "uma referência para que outras empresas no futuro não repitam" o que a Altice fez.

O secretário-geral da CGTP sublinhou que, para aqueles que consideram que a luta dos trabalhadores não traz nada de novo, "aqui já se começam a ter resultados".

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O dirigente sindical alertou ainda o despedimento coletivo na Sudtel, “que foi criada pela Altice para receber trabalhadores desta empresa”.

“Na quinta-feira lá estaremos com os trabalhadores em Torres Novas para manifestar solidariedade e exigir que a Altice assuma as suas responsabilidades e integre" os trabalhadores "ou aqueles que queiram regressar à casa-mãe", frisou Arménio Carlos, que denunciou a "grande estabilidade" que os funcionários da operadora de telecomunicações vivem.

Também o secretário-geral adjunto da UGT, Sérgio Monte, assinalou que "a luta está a produzir alguns efeitos", embora "não todos aqueles" que a central sindical gostaria.

Sérgio Monte enfatizou a entrada no parlamento do projeto de lei que "visa resolver em parte o problema que afeta os trabalhadores", nomeadamente aqueles que foram alvo de transferência para outras empresas, mediante a utilização de uma figura jurífica de "forma enviesada" e "fraudulenta".

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A UGT espera que "este projeto [de lei] venha a regular não só para a Altice, mas para todas as empresas do país que a transmissão de estabelecimento não pode ser usada como forma de fazer caducar os contratos coletivos de trabalho" e levar os trabalhadores "para o despedimento e para o desemprego".

"Daqui vai um recado para a Altice: é sempre melhor a negociação e a cedência de parte a parte do que apostar no conflito", avançou o secretário-geral adjunto da UGT.

“Sindicatos da Altice não desistem da luta pela defesa dos postos de trabalho”

O secretário-geral da Sidetelco (UGT), José Arsénio, reforçou que "a única hipótese que a Altice tem é o diálogo social, esse é que é o caminho certo".

"Penso que a administração da Altice já percebeu que os sindicatos da Altice não desistem da luta pela defesa dos postos de trabalho, esta luta começou há sete meses e vai continuar até serem garantidos os postos de trabalho", garantiu, referindo que o caso dos 150 trabalhadores transferidos seguirão por via judicial, na medida em que a lei que entrará em vigor não tem efeitos retroativos.


 

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