Lusa pressiona jornalistas das agências de Évora, Coimbra e Faro

22 de abril 2012 - 12:59

Segundo denuncia o Sindicato dos Jornalistas (SJ), a administração da Lusa estará a “pressionar” estes jornalistas “para que aceitem passar a trabalhar em casa“. Esta semana será lançado um documento público contra o encerramento da agência Lusa de Coimbra, já subscrito por mais de 50 pessoas, e que ficará disponível na Internet “a todos os que o queiram subscrever”.

PARTILHAR

Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) não só denuncia as pressões exercidas sobre os trabalhadores da agência Lusa de Évora, Faro e Coimbra como também defende que “todo o processo” de encerramento destas instalações, agendado para 1 de junho, se tem pautado por “ilegalidades”.

“A decisão não foi precedida de audição do conselho de redação [da agência] nem tomada por razões editoriais», avança o sindicato, sublinhando que “tal só pode ser feito com acordo prévio do Estado”.

O SJ afirmou que “pediu uma reunião urgente com o ministro da tutela para conhecer a posição do Estado sobre o assunto” e “apelou aos grupos parlamentares na Assembleia da República para que não deixem cair a discussão desta importante questão, já encetada por eles”.

Figuras públicas contestam encerramento dos estabelecimentos da agência Lusa de Coimbra

Durante esta próxima semana será divulgado, e disponibilizado na internet para quem o queira subscrever, um documento contra o encerramento das instalações da agência Lusa de Coimbra.

Neste documento, cujo primeiro subscritor é António Arnaut, é reconhecido o “imprescindível serviço público de informação de qualidade” prestado pela equipa de sete jornalistas da agência Lusa de Coimbra.

“O encerramento das atuais instalações e a dispersão dos jornalistas por outros locais, forçando-os a exercer a atividade profissional, isolados em suas casas, em regime de teletrabalho, afastados do enquadramento humano e profissional da redação onde sempre laboraram, longe das pessoas e das instituições, compromete a natureza de um serviço público que ao longo de décadas, em equipa, deu visibilidade a toda a região, contribuindo para o seu desenvolvimento económico, cultural, político e social”, avançam os subscritores, que pedem à administração da Lusa “que reveja a sua decisão” .

Estes cidadãos, entre os quais figura o dirigente do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza, solicitam ao ministro-adjunto Miguel Relvas que faça “cumprir o contrato de prestação de serviço noticioso e informativo”, entre o Estado e a Lusa, que “obriga à existência das delegações regionais” em Coimbra, Évora e Faro.

O reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, que afirma que “este fecho sem sentido é exemplo do género de decisões que levaram o país à crise”, recorda que a UC manifestou, inclusive, “há meses atrás, à agência Lusa a sua disponibilidade para encontrar um espaço que libertasse a empresa da renda que paga pelas instalações” locais, afirmando que “essa disponibilidade se mantém”.

O documento a ser divulgado esta semana conta ainda com as subscrições dos bastonários da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, e da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, do jornalista Rui Avelar, de Boaventura Sousa Santos, José Reis, Rui Alarcão, Américo Figueiredo, Maria Aparecida Ribeiro, Pires Laranjeira, Fernando Regateiro (ex-presidente dos Hospitais da Universidade de Coimbra, HUC), do médico Jaime Ramos, de Teresa Alegre Portugal, Manuel Carvalho da Silva, Mário Nogueira, António Moreira (coordenador da União dos Sindicatos de Coimbra), Mário Frota (presidente da Associação Portuguesa de Direito do Consumo) e do médico João Paulo Sousa, entre outros.

Termos relacionados: Sociedade