Louçã exige que direita e PS respondam pelos memorandos que assinaram

27 de maio 2011 - 9:13

Passos Coelho de manhã quer um novo referendo do aborto, mas à noite já não é nada disso. Paulo Portas diz que “não tem fúria privatizadora” e assina um memorando ultraprivatizador. Para Francisco Louçã, é preciso ler-lhes trechos do documento que assinaram e não querem assumir.

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A renegociação da dívida é a “mãe de todas as políticas" que o Bloco apresenta nestas eleições, diz Jorge Costa. Foto de Paulete Matos

Com casa cheia na Incrível Almadense, na noite de quinta-feira, o coordenador do Bloco de Esquerda centrou o seu discurso na exigência de que os dirigentes dos partidos do chamado “arco governativo”, ou dos partidos que assinaram os memorandos ao FMI e à União Europeia sejam coerentes e assumam aquilo com que se comprometeram.

O líder do CDS, por exemplo: “Ou o Dr. Paulo Portas assina o que não lê, ou não se preocupa muito com aquilo que assina”, disse Francisco Louçã, reagindo à recente declaração de que o CDS não tem uma “fúria privatizadora”. Ora o mesmo Paulo Portas assinou um memorando que na página 14, no ponto 3.31, afirma o compromisso de acelerar o programa de privatizações.

O coordenador do Bloco de Esquerda prometeu então “passar a ler todos os dias, sempre que for necessário, um trecho do programa que eles assinaram os três”, já que parecem querer evitar que este seja conhecido. “E o País tem o direito de pedir aos dirigentes políticos que tenham uma só palavra”.

Já José Sócrates, diz Louçã, parece viver num mundo alheio a toda a realidade. “Bastava que ele ligasse a TV para ver o que está a acontecer na Grécia – que é o que vai acontecer em Portugal daqui a pouco tempo se o plano da troika for aplicado”. E prosseguiu: “Na Grécia, já se fez tudo: tiraram o 13º e o subsídio de férias às pessoas, privatizaram portos, e até ilhas querem vender. E qual foi o resultado?”, questionou, para responder: “Ao fim de um ano, a dívida é maior, o défice é maior, os juros estão mais altos, o país deve mais e tem menos alternativas. É o caminho da bancarrota, o mesmo que a troika e esses partidos querem para Portugal.”

Já antes Louçã criticara Passos Coelho, que anunciara de manhã a intenção de rever a lei da interrupção voluntária da gravidez, admitindo um novo referendo, à tarde disse que afinal não era isso, era só a regulamentação que havia que mudar, e à noite já não era nada disso também.

“Não se atreva a direita a fazer joguinhos políticos a partir do desrespeito em relação às pessoas”, advertiu.

O comício foi aberto por Jorge Costa, candidato a deputado por Setúbal, que afirmou que a renegociação da dívida é a “mãe de todas as políticas que o Bloco apresenta nestas eleições”, advertindo que o que espera a Portugal, se a esquerda não tiver a força para mudar as actuais políticas, é o que se vive hoje na Grécia. Evocando o Mito de Sísifo, em que Sísifo foi condenado a levar uma pedra ao topo da montanha para esta depois rolar ribanceira abaixo e o acto ter de se repetir por toda a eternidade, Jorge Costa disse que a troika e PS, PSD e CDS querem repetir o Mito de Sísifo em Portugal: “mas a pedra que cai é sempre maior, é a dívida que cresce, o desemprego que aumenta, as falências são mais, a crise que fica maior”.

Em seguida, Mariana Aiveca, cabeça-de-lista pelo distrito, defendeu um dos compromissos que o Bloco assumira de tarde diante dos trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamentos Ferroviários (EMEF), no Barreiro: lutar pelo direito à reforma sem penalizações para todos os que tiverem 40 anos de trabalho e de descontos, independentemente da idade.

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