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Livrarias independentes unem-se para enfrentar crise no mercado livreiro

Foi criada a RELI - Rede de Livrarias Independentes, fora dos grandes grupos editoriais. A rede divulga uma Carta Aberta aos poderes públicos, em que propõe seis medidas de emergência, e anuncia duas iniciativas: “Livraria às Cegas” e “Fique em Casa”.
A associação RELI, agora formada, conta com dezenas de livrarias independentes - Livraria "Ler Devagar" na foto
A associação RELI, agora formada, conta com dezenas de livrarias independentes - Livraria "Ler Devagar" na foto

Dotar o país de uma rede de livrarias de proximidade

Dezenas de livrarias criaram a Rede de Livrarias Independentes (RELI), uma associação composta por livrarias de todo o território de Portugal, sem ligação aos grandes grupos editoriais e livreiros e que tem o site https://www.reli.pt/ e o e-mail info@reli.pt.

Segundo a RELI, o seu objetivo é a “coordenação de esforços para enfrentar a crise no mercado livreiro”, que compromete a existência de livrarias, “principalmente” no período da pandemia.

Em nota divulgada à imprensa e citada pela Lusa, a rede revela que “tem uma causa: conjugar esforços para levarmos por diante os nossos projetos individuais e o grande projeto coletivo que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”. A nota é assinada por José Pinho, da Livraria Ler Devagar, e Rosa Azevedo, da Livraria Snob, em nome de todas as livrarias que aderiram à iniciativa.

Carta aberta aos poderes públicos

Esta carta aberta (disponível aqui) é dirigida a Governo, Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, ministério da Cultura, partidos políticos e outras entidades e sublinha que os livreiros decidiram juntar-se e “partir para a luta”, “acossados pelo vírus e diante de um novo espectro que ronda a Europa e a economia — a falência total da generalidade do comércio e de alguns serviços”.

Descrevendo a situação em que as pequenas livrarias estão colocadas, a rede salienta que “a sobrevivência das livrarias independentes, como a vida” tem de ser assegurada, pois, em caso contrário, “todos ficaremos culturalmente mais pobres”.

Os livreiros realçam que os próximos tempos serão “longos e difíceis”, referem que, se não tiverem apoios do governo e das autarquias, são muito reduzidas as possibilidades de subsistência após a crise e consideram que “chegou a hora” de o ministério da Cultura assumir o compromisso de encontrar uma solução para prevenir o “encerramento de mais e mais livrarias”.

Seis medidas emergenciais

A Reli propõe seis medidas de emergência:

- Garantia da extensão às livrarias independentes das medidas governamentais de apoio à economia;

- reforço dos programas de compra de livros e revistas pelas instituições públicas;

- apoios financeiros para arrendamentos e medidas de defesa contra os despejos provocados pela especulação imobiliária;

- seguros de salários e rendimentos de sócios-gerentes, para garantir um rendimento a todos, enquanto os efeitos da Covid-19 se mantiverem;

- apoio direto à associação RELI, nomeadamente para a construção de um site de venda online;

- exigência do cumprimento da Lei do Preço Fixo.

A RELI propõe ainda a discusão de medidas estruturais; nomeadamente as Feiras do Livro, a ficalização da atividade comercial de venda a retalho de livros, as vendas dos livros escolares; a instalação de novas livrarias.

Duas ações conjuntas: “Livraria às cegas” e “Fique em casa”

A associação anuncia também estas duas iniciativas conjuntas das livrarias independentes:

- “Livraria às cegas” é uma iniciativa que desafia as pessoas a escolherem um livreiro, pedir-lhe livros “de olhos fechados”, e, por um pagamento igual ou superior a 15 euros, receber um pacote-surpresa em casa.

- campanha “Fique em casa, mas não fique sem livros” apela à encomenda de livros numa das livrarias da rede, os quais serão enviados sem portes de envio.

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