Listas de espera para cirurgias regressam em força

21 de março 2012 - 17:04

É o maior aumento dos últimos anos: mais de 175 mil pessoas estão em lista de espera para cirurgias, que disparou 10% em relação ao ano anterior. O tempo médio de espera por uma operação também aumentou para três meses e uma semana. O deputado bloquista João Semedo diz que "é um resultado inevitável das políticas que têm sido seguidas de diminuir a capacidade do SNS".

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Os doentes em lista de espera para cirurgias já são mais de 175 mil, um aumento que faz a saúde pública em Portugal recuar a 2008. Foto Paulete Matos

Os dados provisórios dizem respeito ao final do ano passado e ainda não incluem os efeitos dos cortes do Governo na saúde pública no primeiro trimestre do ano. O coordenador do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), Pedro Gomes, confirmou aos deputados da Comissão de Saúde que a recuperação registada nas listas de espera desde 2008 foi contrariada com o aumento registado no ano passado, apesar do número de cirurgias também ter aumentado em relação ao ano anterior.



Pedro Gomes afirmou que “o aumento da idade, das necessidades, das oportunidades de tratamento e das cirurgias cada vez mais seguras” são a justificação para que as listas de espera tenham registado mais de 16 mil doentes em 2011.



Mas para o deputado João Semedo, o aumento das listas de espera "era absolutamente inevitável e vai continuar a ser assim, infelizmente para os portugueses". E explica as razões por detrás deste aumento: "ele acontece porque se reduz os horários de trabalho dos cirurgiões e equipas de cirurgia e se reduz as horas extraordinárias e o número destes profissionais". O resultado é que "inevitavelmente os hospitais deixarão de ter capacidade para responder à procura e às necessidades de cirurgia que ao longo do ano se vão colocando no SNS".



O futuro não se afigura mais positivo neste capítulo e Semedo prevê que "a situação vai agravar-se nos próximos meses com a continuação desta política de desorçamentação do SNS, dos cortes nos orçamentos das equipas e no funcionamento dos serviços".



"É evidente que os hospitais, por muito que operem, não conseguirão operar o número de pacientes que precisam de ser operados. Portanto, as listas de espera irão aumentar", prevê o médico e deputado bloquista, que sublinha ainda o "recuo bastante significativo" na situação das listas de espera, "que no final do ano passado regressaram ao nível em que estavam em 2008".