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Liechtenstein: Propostas progressistas rejeitadas em referendo

No domingo, os eleitores do Liechtenstein foram à urnas para votar em três referendos com propostas de carácter progressista. Todas as iniciativas foram rejeitadas, o que significa uma vitória para a direita populista. Artigo de Jorge Martins
Uma das fronteiras entre a Suíça e o principado do Liechtenstein. Foto de Matthew Peoples / Flickr

Neste domingo, os eleitores do Liechtenstein, o pequeno principado independente situado entre a Suíça e a Áustria, foram a votos para referendar três propostas de cariz progressista.

A primeira, apresentada por um grupo de cidadãos e cidadãs, propunha a consagração da paridade de género em todas as instituições do país. Recorde-se que o país foi o último da Europa a conceder o direito de voto às mulheres, algo que só sucedeu em 1979.

A segunda, apresentada pela Lista Livre (FL), de centro-esquerda, social-democrata e ecologista, previa a concessão da dupla nacionalidade às pessoas naturalizadas. Atualmente, para obter a cidadania do país, é necessário renunciar à do país de origem.

A terceira dizia respeito à construção de um caminho de ferro, em via dupla, ligando os vizinhos estado austríaco do Voralberg e o cantão suíço de Saint-Gallen, através do Liechtenstein, com evidentes ganhos ambientais.

As três propostas tiveram o apoio da FL e a oposição da direita populista, uma formação designada por Os Independentes (DU, sigla que, em alemão, significa “tu”). Esta não constitui um verdadeiro partido político, mas, antes, um movimento de cidadãos, com ideias, em geral, reacionárias e, em muitos casos, próximas da extrema-direita europeia, como a oposição ao acolhimento de refugiados.

Os dois maiores partidos do país, o conservador Partido Cívico Progressista (FBP) e o liberal-conservador União Patriótica (VU), que governam o país em coligação, apoiaram as duas últimas propostas. Relativamente à primeira, o segundo opôs-se, enquanto o primeiro permaneceu neutral, embora a maioria do seu eleitorado fosse contrário a essa emenda constitucional.

No final, numa votação que teve a participação de 83,5% do eleitorado, as três propostas foram rejeitadas.

A primeira sofreu uma derrota esperada, mas os números foram bastante além do que se esperava: 78,8% para o “não” contra 21,2% para o “sim”.

Havia alguma esperança que a segunda passasse, dado o apoio do governo e dos principais partidos, mas tal não aconteceu: o “não” obteve 61,5%, enquanto o “sim” se ficou pelos 39,5%.

A terceira parecia ter todas as condições para ser aprovada, mas os argumentos economicistas e isolacionistas da DU levaram a melhor sobre os das restantes forças políticas e do governo: a proposta foi rejeitada por 62,3% do eleitorado, contra apenas 37,8% de aprovação.

Neste pequeno país, próspero e conservador, estes resultados são uma grande vitória para a DU, que espera, assim, aumentar a sua influência nas legislativas do próximo ano.

Sobre o/a autor(a)

Professor. Mestre em Geografia Humana e pós-graduado em Ciência Política. Membro da coordenadora concelhia de Coimbra do Bloco de Esquerda
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