Antes, durante e até mesmo depois de perder as eleições regionais do fim de maio, a posição da líder do PP na Extremadura era inequívoca: "Não posso deixar entrar no governo aqueles que negam a violência machista, estão a desumanizar os imigrantes e atiram a bandeira LGBTI para o caixote do lixo". A eleição ditou o PSOE como o partido mais votado e o PP e o Vox não conseguiram acordo para a presidência do parlamento regional. Depois disso, Guardiola insistiu na sua posição, dizendo que o seu "único património" era a sua palavra.
Mas bastaram algumas semanas de pressões da direção nacional do partido para que a candidata do PP engolisse esse património e dissesse que "a minha palavra não é tão importante como o futuro dos estremenhos". Esta quinta-feira, no debate da investidura, houve muita gente a lembrá-lo. Irene De Miguel, porta-voz da Unidas por Extremadura, foi uma delas: "O que é que lhe sobra, se não tem palavra, senhora Guardiola? Se desperdiçou a sua credibilidade aos olhos dos cidadãos, como é que os estremenhos podem confiar em si se já sabem que, mesmo que prometa algo, pode não o cumprir porque os interesses do seu partido estão em primeiro lugar". Sem se referir aos seus novos parceiros de governo, Maria Guardiola respondeu afirmando que a sua eleição como primeira mulher a presidir ao governo da Extremadura era uma grande conquista do feminismo.
Também o facto de Guardiola ir presidir ao Governo sem que o PP tenha sido o partido mais votado foi alvo de críticas, pois ainda na véspera o candidato do partido a primeiro-ministro, Alberto Feijóo, desafiara o socialista Pedro Sánchez a um compromisso para deixar que o partido mais votado nas próximas legislativas de 23 de julho pudesse governar a Espanha, tendo mesmo assinado um papel - que apresentou como o seu compromisso - em pleno frente a frente televisivo. No debate parlamentar na Extremadura, tanto Irene de Miguel como o presidente cessante do PSOE, Guillermo Vara, comprometeram-se a nunca acusar o governo de Guardiola de ser um "governo okupa" ou "ilegítimo", como tem feito o PP em relação ao atual governo espanhol de coligação entre socialistas e Unidas Podemos.
Segundo o acordo de governo com o Vox, o novo executivo de Guardiola integrará um membro da extrema-direita com a pasta da Gestão Florestal e Mundo Rural, que detém a tutela de áreas como a caça, as touradas, gestão de incêndios, mas também na área da proteção de ambiente, apesar de este partido se apoiar no negacionismo das alterações climáticas.
Para conseguir liderar o Governo, Guardiola aceitou ainda várias exigências da extrema-direita, como a revogação da lei regional de memória histórica ou o "veto parental" na vida escolar. As 60 medidas do programa do novo governo não incluem referências à violência machista, mas a nova presidente anunciou que assumirá as competências nessa matéria e prometeu um plano de combate à violência de género.