Para Estela de Carlotto é o fim de quase quatro décadas de busca, desde que em agosto de 1978 a ditadura lhe entregou o cadáver da filha, sequestrada em 1977 quando estava grávida de três meses. O neto é o músico e compositor Ignacio Urban, que se apresentou voluntariamente para fazer o teste de DNA e assim desfazer, ou confirmar, as dúvidas sobre a sua identidade.
“É uma resposta aos que querem que viremos a página, como se nada tivesse acontecido”, afirmou Estela de Carlotto aos jornalistas, reafirmando que “temos de continuar à procura dos que faltam, porque outras avós têm de sentir o que eu estou a sentir”.
Ignacio é o 114º neto desaparecido a conhecer os seus pais verdadeiros, mas a Associação das Avós da Praça de Maio estimam em mais de 500 bebés nascidos em prisões, centros de tortura ou, como Ignaico, num hospital militar, que foram retirados aos legítimos pais e entregues a famílias de militares e figuras do regime.
“Os netos estão vivos e esperando que os continuemos a procurar”, disse Estela de Carlotto em conferência de imprensa, citada pelo portal Opera Mundi. A presidente da associação reconhece que muitos não os procuram por sentirem que têm uma “dívida com os pais que os criaram”. Eles “não vêm para que os que os criaram não sejam enviados para a cadeia. Então esperam que [esses pais] morram para tomar esta decisão, mas nesta espera, muitas vezes as avós morrem”, lamentou.
Estela aproveitou para responder às críticas dirigidas ao trabalho das Avós da Praça de Maio. “É uma resposta aos que querem que viremos a página, como se nada tivesse acontecido”, afirmou aos jornalistas, reafirmando que “temos de continuar à procura dos que faltam, porque outras avós têm de sentir o que eu estou a sentir”. Mas por agora, concluiu, o que quer mesmo “é abraçar e ver o rosto do meu neto como sempre sonhei”.