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Líbia: Há acordo sobre governo interino

Dois governos enfrentam-se desde 2014, um no leste, outro no oeste. A última ofensiva do general Haftar falhou em novembro passado e deu lugar a um cessar-fogo instável. Agora, em Genebra, escolheu-se um governo que tem muitas dificuldades pela frente.
Cidadão líbia vota em Genebra na eleição do novo Primeiro-Ministro. Foto de ONU/Flickr.
Cidadão líbio vota em Genebra na eleição do novo Primeiro-Ministro. Foto de ONU/Flickr.

As negociações entre as partes em conflito na Líbia concluíram-se com o acordo para a formação de um governo interino. Em Genebra, com a mediação da Organização das Nações Unidas, prometeu-se também realizar eleições ainda este ano, a 24 de dezembro.

O primeiro-ministro escolhido foi Abdul Hamid Dbeibah. E um conselho presidencial de três elementos - Mohamed al-Manfi, Musa al-Koni e Abdullah al-Lafi - tentará fazer o equilíbrio num país despedaçado pela guerra e que ainda conta com a presença no terreno de várias milícias, algumas estrangeiras.

O novo chefe de governo terá até 26 de fevereiro para apresentar um novo governo ao parlamento, que depois ainda terá de o aprovar. Uma formalidade que dificilmente será cumprida. O órgão dividiu-se em 2019 e não tem quórum suficiente para funcionar em termos legais.

O resultado do processo é visto como surpreendente. O acordado foi que o governo sairia de uma votação entre 75 cidadãos escolhidos pela ONU para participarem nas negociações por serem representativos da sociedade líbia. A lista favorita incluía dois pesos pesados em termos políticos, um de cada lado do conflito, o chefe do parlamento do leste, Aguila Saleh, e o ministro do interior do oeste, Fathi Bashagha. Mas perdeu com 34 votos contra 39. Os dois derrotados apelaram ao apoio ao novo governo.

A este grupo de cidadãos caberá também, muito provavelmente, a aprovação final do executivo se ela não ocorrer no parlamento.

Desde outubro que está em vigor um cessar-fogo entre as forças beligerantes na sequência do falhanço da ofensiva do comandante Khalifa Haftar, do leste, que durou 16 meses e cujo objetivo era tomar a capital Tripoli. Este nem sempre foi cumprido.

Depois da intervenção militar apoiada pela NATO, em 2011, o país nunca estabilizou. Desde 2014 que há dois governos, um no leste, outro no oeste do país em guerra. Mas há bem mais do que duas partes no conflito, o que dificulta a implementação de qualquer acordo. Isso e o facto de vários países apoiarem grupos diferentes. Por exemplo, a Turquia apoia o Governo de Acordo Nacional que era reconhecido pela ONU, sediado em Tripoli, e os Emirados Árabes Unidos, Rússia e o Egito apoiam as forças de Haftar, o Exército Nacional da Líbia. Segundo a ONU, todos estes países violaram o embargo à venda de armas à Líbia com o qual se tinham comprometido.

António Guterres, secretário-geral da ONU, apelou ao reconhecimento dos resultados e a que todos “trabalhem com as novas autoridades eleitas”.

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