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Lay-off: Metade das grandes empresas recebe apoio do Estado

A CGTP denuncia que o dinheiro que falta para apoiar os trabalhadores e as micro, pequenas e médias empresas está a ser "apropriado pelos detentores dos grandes grupos económicos”.
Foto de Paulete Matos

Num estudo publicado pela CGTP, sobre a aplicação do regime de lay-off simplificado, podemos observar que metade das grandes empresas do país pediu acesso a esta ajuda do Estado, para fazer face à pandemia da covid-19.

“Assim, 53,5% das empresas com 250 ou mais trabalhadores candidataram-se ao lay-off simplificado, o mesmo com 51,6% das empresas entre 50 a 249 trabalhadores, mas apenas 8,3% das empresas com menos de 50 trabalhadores se candidataram”, afirma a CGTP na nota publicada.

Segundo os dados divulgados pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social citados no estudo, “até ao dia 14 de Maio, cerca de 109 mil empresas tinham-se candidatado ao regime do lay-off simplificado, empregando 1 milhão e 312 mil trabalhadores.”

Até ao dia 15 de Maio, este apoio “tinha sido pago a 83,3 mil empresas (ou seja, 84% do total das 99,1 mil que se candidataram até 30 de Abril) e referia-se a 681 mil trabalhadores. No total, foram já pagos 284 milhões de euros às empresas ao abrigo deste mecanismo. 84% dos trabalhadores abrangidos nestes processos encontram-se em suspensão do contrato e 16% em redução do horário de trabalho”, afirma a central sindical.

Os setores que mais solicitaram este apoio foram o da restauração e similares com 22,9% do total dos trabalhadores, o comércio e reparação de automóveis com 22,2% e as indústrias transformadoras com 21,6%. Também 5,3 mil pessoas singulares com trabalhadores a cargo requereram esta ajuda. 

A CGTP termina afirmando que “agora se percebe melhor porque foi este regime de lay off simplificado apelidado de 'Mãe de todas as medidas'", uma vez que facilita as condições de acesso "e aposta num desregulado regime que põe o Estado a pagar o grosso dos salários às empresas que têm todas as condições económicas para não usarem os apoios concedidos ao abrigo deste regime".

"O dinheiro que falta para o apoio aos trabalhadores e às MPME [micro, pequenas e médias empresas], é assim apropriado pelos detentores dos grandes grupos económicos”, conclui a central sindical.

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