Exoplanetas habitáveis
Os astrónomos já tinham calculado que devem existir 17 mil milhões de exoplanetas similares à Terra na Via Láctea.
Agora, eles estimaram que a nossa galáxia deve abrigar pelo menos 100 milhões de exoplanetas habitáveis, capazes de sustentar "vida complexa".
O cálculo que eles fizeram é diferente daquele que se faz por meio da equação de Drake, que procura estimar a existência de vida inteligente.
"Vida complexa não significa vida inteligente - embora ela não a descarte, e nem mesmo a vida animal - mas simplesmente que organismos maiores e mais complexos do que micróbios poderiam existir em formas variadas. Por exemplo, organismos que formam cadeias alimentares estáveis, como os encontrados nos ecossistemas da Terra," explicam os pesquisadores.
Índice de Complexidade Biológica
A equipe examinou mais de 1.000 exoplanetas e usou uma fórmula que considera a densidade dos planetas, a sua temperatura, substrato (líquido, sólido ou gasoso), a sua composição química, distância da estrela e idade dos planetas.
Eles colocaram tudo numa fórmula que batizaram de "Índice de Complexidade Biológica" (ICB).
O cálculo do ICB revelou que de 1 a 2% dos exoplanetas apresentam uma classificação superior ao ICB da lua Europa de Júpiter, que se acredita ter um oceano global abaixo da superfície que pode abrigar formas de vida.
Com cerca de 10 mil milhões de estrelas na Via Láctea, o ICB resultou em, no mínimo, 100 milhões de planetas com capacidade de sustentar vida complexa, número que pode chegar aos 200 milhões seguindo o intervalo de 1 a 2%.
O cálculo é mais criterioso e mais restritivo do que os anteriores. Olhando apenas para a questão de estar na zona habitável, ou seja, ter condições de manter água em estado líquido, cálculos tinham indicado que existiriam milhares de milhões de exoplanetas nas zonas habitáveis em toda a Via Láctea.
"Este estudo não indica que a vida complexa exista em tantos planetas. Nós estamos a dizer que há condições planetárias que poderiam suportá-la. Questões sobre a origem da vida não foram abordadas - somente as condições para suportar a vida," salienta Albert Fairén, da Universidade Cornell (EUA).
Não estamos sós - só estamos longe dos outros
Embora outros cientistas já defendam que vamos encontrar vida no espaço neste século, é necessário salientar que a Via Láctea é tão grande que esses planetas estão muito distantes de nós. Alguns dos mais promissores que se conhecem até agora, por exemplo, ao redor da estrela Gliese 581, estão a 20 anos-luz da Terra.
"Parece altamente improvável que estejamos sozinhos," dizem os pesquisadores, para logo em seguida ressaltar que "estamos provavelmente tão longe de vida no nosso nível de complexidade que um encontro com essas formas alienígenas parece ser improvável no futuro próximo."
Artigo publicado em http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=via-lactea-tem-100-milhoes-planetas-habitaveis&id=010130140610
Bibliografia:
Assessing the Possibility of Biological Complexity on Other Worlds, with an Estimate of the Occurrence of Complex Life in the Milky Way Galaxy
Louis Irwin, Abel Méndez, Alberto Fairén, Dirk Schulze-Makuch
Challenges
Vol.: 5(1), 159-174
DOI: 10.3390/challe5010159