Cerca de 60 trabalhadoras da Knowbest, uma empresa de calçado da região de Lousada, estão sem poder trabalhar e sem receber a totalidade do salário, na sequência de uma paralisação informal que se arrasta desde finais de setembro.
As funcionárias denunciam falta de organização, pressões da gerência e ausência completa de informação oficial sobre o seu futuro laboral.
Segundo os testemunhos recolhidos, os problemas vêm de trás. Antes da suspensão da atividade, a desorganização era visível: encomendas que ficavam por concluir, mudanças constantes de funções e ausência de planeamento. A administração chegou a promover um referendo interno para implementar o banco de horas, proposta rejeitada pela esmagadora maioria. Pouco depois, relatam as trabalhadoras, o patrão retirou bens essenciais da área de pausa, incluindo máquinas de venda automática de alimentos e café ,num gesto de represália. Algumas trabalhadoras descrevem também episódios de pressão, intimidação e atitudes agressivas por parte do gerente e do encarregado.
Em agosto, foram informadas de que teriam mais uma semana de férias além do previsto, descontada antecipadamente do período de Natal. A situação agravou-se no final de setembro, quando começaram a receber instruções para ficarem em casa, por fases, sem qualquer comunicação formal de suspensão de contrato.
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A 3 de novembro, Hugo Góis, responsável pela empresa, reuniu com todas as trabalhadoras e afirmou que apenas um terço do salário seria pago, acrescentando que a 11 de novembro seria tomada uma decisão definitiva: regressavam ao trabalho ou recebiam a carta para o desemprego. Alegou ainda que, em 2022, a empresa não registou lucros, apesar de várias trabalhadoras recordarem que, na altura, a administração comunicou exatamente o contrário, elogiando resultados e desempenho.
Quatro dias depois, a 7 de novembro, surgiu nova mensagem no grupo de WhatsApp da empresa: afinal, apenas 20% do salário seria pago. Algumas garantem não ter recebido sequer esse valor. As últimas trabalhadoras que ainda permaneciam no ativo receberam indicações para ficarem em casa a 12 de novembro. Desde então, toda a equipa está parada, sem remuneração completa e sem qualquer documento formal que enquadre a situação.
As trabalhadoras denunciam que estão "em limbo", sem comunicação oficial da empresa, sem salários completos e impossibilitadas de aceder aos mecanismos legais que exigem documentação formal do empregador, como a suspensão de contrato ou o despedimento.
Até ao momento, a administração não prestou esclarecimentos públicos nem forneceu qualquer informação escrita sobre o futuro da empresa ou dos postos de trabalho.