Julieta Monginho vence prémio Fernando Namora com romance sobre migrantes

16 de outubro 2019 - 14:45

O romance “Um Muro no Meio do Caminho” venceu por unanimidade o Prémio Literário Fernando Namora. Nele, Julieta Monginho retrata passagem dos migrantes pelo Mediterrâneo. “Um livro que, sob a forma de um olhar simultaneamente afetuoso e triste, nos revela a face de uma humanidade perdida de si mesma”.

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Capa do livro Um Muro no Meio do Caminho. Porto Editora.
Capa do livro Um Muro no Meio do Caminho. Porto Editora.

A escritora e magistrada Julieta Monginho foi a vencedora da 22ª edição do Prémio Literário Fernando Namora.

Por unanimidade, o júri distinguiu o romance “Um Muro no Meio do Caminho” no qual se retrata a passagem dos migrantes pelo Mediterrâneo com destino à Europa. Este foi presidido por Guilherme d'Oliveira Martin e constituído por José Manuel Mendes, da Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, da Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Maria Carlos Gil Loureiro, da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Dinis de Abreu, da Estoril-Sol e, a título individual, por Maria Alzira Seixo, José Carlos de Vasconcelos e Liberto Cruz, convidados a título individual.

No texto com que justificam a atribuição do prémio consideram “Um Muro no Meio do Caminho” como um romance que se “constrói sobre uma das mais pungentes tragédias contemporâneas: a dos refugiados, sobretudo sírios, em fuga de loucuras humanas cada vez mais selváticas” e que é escrito “num registo muito vivo e dinâmico, beneficiando da experiência pessoal que viveu no campo de Scios, em 2016, traçando retratos de mulheres mergulhadas num universo de dor e luto, mas também de esperança. Um livro que, sob a forma de um olhar simultaneamente afetuoso e triste, nos revela a face de uma humanidade perdida de si mesma”.

A autora, Julieta Monginho, nasceu em Lisboa, em 1958, e exerce funções como magistrada do Ministério Público na jurisdição de família e crianças. Depois de se licenciar em Direito, frequentou o Centro de Estudos Judiciários em 1983. Foi magistrada em Montemor-o-Novo entre 1985 e 1988, em Torres Vedras entre 1988 e 1990, em Sintra entre 1990 e 1994, e em Cascais entre 1994 e 1998. Entre 1998 e 2000, foi assessora no Supremo Tribunal de Justiça.

Antes deste livro, tinha escrito Juízo Perfeito em 1996, A paixão segundo os infiéis em 1998, À tua espera em 2000, Dicionário dos livros sensíveis também no mesmo ano, Onde está J.?: diário, em 2002, foi co-autora de A árvore no meio da sala em 2003. Escreveu ainda A construção da noite em 2005, A terceira mãe em 2008, António, Maria em 2010, Metade maior em 2012.

Julieta Monginho já tinha sido premiada em 2000 por À tua espera com o Prémio Máxima de Literatura 2000 e em 2008 por A terceira mãe com o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB.