A peça foi uma adaptação do livro “A Filha Rebelde” de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, sobre a filha do antigo director da PIDE Silva Pais, e teve encenação de Helena Pimenta.
Os sobrinhos de Silva Pais alegam que na peça foi insinuado que o ex-director da polícia política foi um dos responsáveis pelo assassinato de Humberto Delgado, o que consideram difamatório e ofensivo da memória do tio e baseiam a queixa no facto de o tio não ter sido condenado.
No entanto, segundo noticiou o “Sol” em 23 de Fevereiro passado, “Silva Pais não chegou a ser sentenciado no processo do assassínio de Humberto Delgado por ter morrido seis meses antes de terminar o processo no Tribunal Militar de Lisboa em que o Promotor Público o tinha acusado de co-autoria moral do crime”.
O Ministério Público (MP) demarcou-se do processo, não acompanhando a acusação.
Sobre este julgamento, a autora da peça, Margarida Fonseca Santos, escreveu estas palavras:
“Conquistámos, no 25 de Abril, a liberdade de expressão, que está agora posta em causa. Mas, mais grave ainda, esta é uma tentativa de branquear a imagem daquele que foi o responsável máximo da PIDE - a polícia política que perseguiu, torturou e matou muitos opositores ao regime, entre eles o General Humberto Delgado”.
O julgamento é nesta terça feira, 3 de Maio, pelas 9h15 em Lisboa, no 2º Juízo Criminal, 3ª Secção, Avenida D. João II, 10801 - Edifício B. Parque das Nações.