Julgamento da autora da peça “A Filha Rebelde” e de 2 ex-directores do D. Maria II

02 de maio 2011 - 19:38

Esta terça feira tem início o julgamento de Margarida Fonseca Santos (autora), Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira (ex-directores do Nacional D. Maria II) acusados dos crimes de difamação e ofensa à memória de pessoa falecida, pelos sobrinhos do antigo director da PIDE Silva Pais.

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A autora da peça “A Filha Rebelde”, Margarida Fonseca Santos, afirma: “Conquistámos, no 25 de Abril, a liberdade de expressão, que está agora posta em causa”.

A peça foi uma adaptação do livro “A Filha Rebelde” de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, sobre a filha do antigo director da PIDE Silva Pais, e teve encenação de Helena Pimenta.

Os sobrinhos de Silva Pais alegam que na peça foi insinuado que o ex-director da polícia política foi um dos responsáveis pelo assassinato de Humberto Delgado, o que consideram difamatório e ofensivo da memória do tio e baseiam a queixa no facto de o tio não ter sido condenado.

No entanto, segundo noticiou o “Sol” em 23 de Fevereiro passado, “Silva Pais não chegou a ser sentenciado no processo do assassínio de Humberto Delgado por ter morrido seis meses antes de terminar o processo no Tribunal Militar de Lisboa em que o Promotor Público o tinha acusado de co-autoria moral do crime”.

O Ministério Público (MP) demarcou-se do processo, não acompanhando a acusação.

Sobre este julgamento, a autora da peça, Margarida Fonseca Santos, escreveu estas palavras:

“Conquistámos, no 25 de Abril, a liberdade de expressão, que está agora posta em causa. Mas, mais grave ainda, esta é uma tentativa de branquear a imagem daquele que foi o responsável máximo da PIDE - a polícia política que perseguiu, torturou e matou muitos opositores ao regime, entre eles o General Humberto Delgado”.

O julgamento é nesta terça feira, 3 de Maio, pelas 9h15 em Lisboa, no 2º Juízo Criminal, 3ª Secção, Avenida D. João II, 10801 - Edifício B. Parque das Nações.