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Jovens em Portugal: mais de metade já sofreu violência no namoro

Num estudo sobre violência no namoro em contexto universitário, mais de um terço dos 2683 inquiridos assumiu ter exercido pelo menos uma vez violência sobre o outro. De acordo com a coordenadora do estudo, a violência é sustentada pelas “crenças de género que colocam o homem numa posição de superioridade e as mulheres numa posição subalterna”.
Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

O estudo Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas, promovido pela Associação Plano i, concluiu que 54,7% dos jovens em Portugal já passaram por pelo menos um ato de violência no namoro. A lista de atos inclui difamação, chantagem, invasão de privacidade, agressões físicas e coação para práticas sexuais indesejadas. Mais de metade dos 2683 inquiridos afirma ter passado por isto.

Para além disto, 34,5% afirma já ter praticado pelo menos um ato de violêncio. Tal como no plano da violência doméstica, os rapazes são quem mais exerce violência, “embora a violência no namoro seja sofrida e praticada por ambos os sexos”, sublinha o estudo cujos inquéritos foram aplicados entre abril de 2017 e janeiro de 2019.

No que concerne à violência praticada e sofrida nas relações de namoro entre universitários, 21,3% das mulheres e 17,3% dos homens declararam que já foram culpados, criticados, insultados e difamados sem motivo; 14,7% das mulheres e 6,9% dos homens passaram por ameaças, gritos ou comportamentos como partir objectos e rasgar a roupa; 12,9% das mulheres e 9% dos homens reportaram que já foram ameaçadas ou chantageadas através das tecnologias da comunicação; 19,6% das mulheres afirma já se ter sentida controlada na forma de vestir, no penteado ou nos locais frequentados, contra 9,7% dos homens; 4,5% das mulheres e 2,9% dos homens afirmam ter passado por ameaças de morte ou sofrido ferimentos que necessitaram de tratamento médico.

O estudo concluiu ainda que a violência está mais presente entre os jovens que apresentam “crenças de género mais conservadoras”. Assim, a criminóloga Mafalda Ferreira, coordenadora executiva do estudo, citada pelo Público, afirma que “Estas crenças de género, que colocam o homem numa posição de superioridade e as mulheres numa posição subalterna, são o que sustenta a violência. Por isso, o foco tem de estar na educação, nomeadamente nas escolas” e acrescenta que “se esta educação para a cidadania e para a igualdade de género for feita desde o pré-escolar, estas crenças são mais facilmente desconstruídas”.

O estudo mostra ainda que 9% dos homens afirmam que a família deve ser a prioridade das mulheres (6,9% das mulheres concordam). Para mais, 27,9% dos homens acham que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres, contra 12,7% das mulheres; 16,8% dos homens dizem que o ciúme é uma prova de amor, e 3,4% das mulheres concordam.

Os homens manifestam-se mais contra a ideia de igualdade. Assim, 8,7% dos inquiridos dizem que direitos e deveres não devem ser iguais, e 2,3% das inquiridas também.

O estudo prosseguirá agora para uma nova fase, em que procurará garantir uma amostra com maior representatividade geográfica e da população masculina, já que os inquiridos se concentram sobretudo na região Norte e 78,1% eram do sexo feminino e 21,5% do masculino.

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