O jornalista, que refere ter sido agredido com duas bastonadas por um agente da Equipa de Intervenção Rápida da PSP, apresentou queixa perante o Ministério da Administração Interna, Sindicato de Jornalistas, Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), entre outros organismos.
Ricardo Esteves Ribeiro explicou ao Público que os acontecimentos tiveram lugar em frente ao Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), local onde se realizou a manifestação “Pelo fim de todas as prisões e pela Palestina livre!”. As agressões foram confirmadas ao jornal diário por dois ativistas que participaram na iniciativa.
O jornalista relatou que a iniciativa, organizada pelo coletivo Vozes de Dentro, à qual aderiram coletivos solidários com a luta da Palestina, num total de cerca de 50 pessoas, decorria "pacificamente”, e que a PSP se encontrava presente. Perto do fim, pelas 18h30, e já com apenas cerca de 15 pessoas presentes a “dobrar as faixas” Ricardo Esteves Ribeiro, atualmente a fazer uma reportagem sobre violência policial, viu chegar uma carrinha com vários agentes da Equipa de Intervenção Rápida (EIR).
“Não só o número de agentes tinha, de um momento para outro, passado a ser superior ao número de manifestantes, sem qualquer motivo aparente, como a chegada de um contingente de polícias visivelmente mais armados e não identificados sugeria que a noite ainda não tinha acabado”, apontou.
De acordo com Ricardo Esteves Ribeiro, os agentes pediram a identificação a um dos manifestantes do Vozes de Dentro. O mesmo informou não ter os documentos consigo, adiantou que a ação já estava a terminar, e recusou aceder ao pedido da polícia no sentido de o acompanhar a casa para que apresentasse então o cartão de cidadão.
“Em segundos, o rapaz foi violentamente atirado ao chão por um dos agentes, enquanto vários outros criaram uma barreira que impedia todas as outras pessoas de chegar-se perto. Ao meu lado, uma pessoa gritava que era médica e que queria aproximar-se para garantir que estava tudo bem. Foi impedida”, relatou o jornalista.
Apesar de Ricardo Esteves Ribeiro se ter identificado, inclusive fornecendo o seu número de carteira profissional enquanto gravava os acontecimentos, foi agredido com “duas bastonadas" por um dos agentes “não identificados”. Uma das agressões deixou a sua perna esquerda “marcada durante dois dias”. Os agentes continuaram a empurrá-lo com o “bastão na horizontal”, ordenando-lhe que recuasse, apesar de ninguém estar “a tentar forçar nada”.
No momento em que o jornalista filmava a detenção do manifestante abordado pela polícia, um dos agentes retirou-lhe o telemóvel e reteve-o durante cerca de um minuto, naquilo que considera ser “numa clara tentativa de limitar o meu direito a informar”.
Questionado pelo Público, o responsável pelos media da direção nacional da PSP alegou que “o recurso ao meio coercivo de baixa potencialidade letal" durante a iniciativa "teve como objetivo garantir que a detenção decorria em segurança, bem como garantir a segurança dos polícias, face às tentativas de interferência dos populares na legítima ação policial”.