Está aqui

João Moura acusado de 18 crimes de maus tratos a animais

O Ministério Público quer avançar para julgamento e diz que o cavaleiro tauromáquico tratou “cruelmente” os 18 cães resgatados pela GNR na sua propriedade há dois anos.
Foto GNR Portalegre.

Em fevereiro de 2020, a GNR cumpriu um mandado de busca à propriedade de João Moura em Monforte, no distrito de Portalegre e apreendeu 18 cães galgos que estavam “confinados em boxes de cavalos, dois a cinco animais por boxe, sem quaisquer equipamentos ou utensílios para fornecimento de alimento ou água”.

“Os espaços onde estavam alojados apresentavam grande acumulação de excrementos de muitos dias” e os cães “não possuíam um espaço seco e macio para repousar, dormindo sobre o cimento e sobre os dejetos acumulados”, descreve o Ministério Público citado pela agência Lusa, acrescentando que todos os cães tinham lesões ou escoriações e infeções provocadas por parasitas, possuindo alguns doenças, sem que existisse “quaisquer sinais de tratamento”. Uma cadela, com quase oito anos, acabou por morrer no dia da operação policial. Os restantes “evoluíram rápida e favoravelmente”, manifestaram “muito apetite” e melhoraram “o seu estado geral” depois de retirados da propriedade de João Moura e acolhidos.

Agora, o cavaleiro tauromáquico será acusado de 17 crimes de maus tratos a animais de companhia e um crime de maus tratos a animais de companhia agravado, com o Ministério Público a considerar que João Moura, em vez de “proporcionar os cuidados de saúde, nutrição e higiene” aos animais, “tratou-os cruelmente, sabendo que com a sua conduta lhes causava lesões, dor, fome, sede, desconforto e, em consequência, sofrimento”.

Em reação à notícia da acusação, a associação SOS Animal diz que a vê com “bons olhos”, mas considera “inacreditável” a demora no processo. “Eu acho que a sociedade portuguesa não vai tolerar outra coisa que não a condenação, porque as provas são gritantes” e “as justificações dadas” pelo cavaleiro tauromáquico “foram ridículas”, afirmou a presidente da associação, Sandra Cardoso, á agência Lusa. A SOS Animal critica ainda que não tenham sido retirados também os cães que “o veterinário municipal achou por bem deixar, porque não viu que estivessem em perigo”. E diz ter informações de que na herdade de João Moura “continuam a entrar e a sair cães, são vendidos e trocados cães. O movimento continua, nomeadamente de galgos”.

A SOS Animal defende que o Ministério Público devia ter decretado “a impossibilidade de ele deter animais até o processo estar concluído” e espera que a pena a aplicar ao cavaleiro tauromáquico inclua “a não detenção de animais para sempre, porque mostrou que é inapto para os deter”. Na altura da detenção de João Moura, a associação apontou-o como “o maior criador de galgos do país” e “um dos principais promotores de corridas de cães em Portugal”.

Termos relacionados Sociedade
(...)