Está aqui

Jerónimo Martins multado na Polónia por práticas enganadoras em preços

Desde 2016 que há queixas de consumidores sobre os preços serem mais baixos nas prateleiras do que depois na caixa. O grupo foi condenado a pagar 26 milhões de euros.
Biedronka, na Polónia, o nome da cadeia de super e hipermercados da Jerónimo Martins. Foto de Jakub Szestowicki/Flickr.
Biedronka, na Polónia, o nome da cadeia de super e hipermercados da Jerónimo Martins. Foto de Jakub Szestowicki/Flickr.

A entidade polaca que regula a concorrência, o UOKiK, considerou que a Biedronka, cadeia de supermercados pertencente ao grupo Jerónimo Martins, recorre a práticas enganosas para o consumidor. Os preços são maiores na caixa do que eram quando apresentados nas prateleiras.

A multa por este esquema, de que o grupo pode ainda recorrer, foi fixada em cerca de 26 milhões de euros.

Segundo o site Dinheiro Vivo, que avançou a notícia, a investigação começou no ano passado mas desde, pelo menos, 2016 que havia queixas de consumidores. Para além da manipulação dos preços, concluiu-se que 14% dos produtos não tinham preço.

Em nota de imprensa, Tomasz Chróstny, presidente do UOKiK, considera que por o preço ser “um dos critérios mais importantes que os consumidores utilizam na escolha dos produtos é inaceitável induzir os consumidores em erro quanto ao preço correto dos produtos”. Escreve ainda que “durante muito tempo na Biedronka, os clientes normalmente pagavam mais do que o preço nas prateleiras das lojas. Mas nem sempre sabiam disso.”

Já a rede de supermercados reconhece que possa ter havido preços mas descarta a possibilidade de um esquema sistemático: “tendo em consideração a dimensão da rede – mais de três mil lojas, mais de 70 mil funcionários e mais de quatro mil milhões de clientes entre 2017 e julho de 2020 –, não podemos excluir a possibilidade de casos individuais em que o erro humano possa ter resultado em preços errados ou uma não atualização imediata”, referindo “erros aleatórios”.

A cadeia de lojas está a ser alvo de uma segunda investigação da mesma entidade, iniciada também o ano passado. O UOKiK suspeita que a Biedronka obtenha “vantagem comercial face a fornecedores”, nomeadamente os de frutas e legumes, e arrisca uma outra multa de 3% sobre as receitas.

A cadeia aplica um desconto ao pagamento a fornecedores sobre o qual estes só são informados no fim do mês, já depois de terem entregue os produtos. Isto faz com que os fornecedores sejam levados a contratualizar vendas sem saberem o que com elas podem ganhar, o que será, segundo o regulador, “aproveitamento da parte mais fraca do contrato”.

Termos relacionados Internacional
(...)