A direita italiana foi fragorosamente derrotada nas eleições locais realizadas na última segunda-feira, marcadas pelo crescimento do voto de protesto e de contestação à austeridade.
Foram as primeiras eleições significativas desde que Mario Monti assumiu a chefia do governo no lugar de Berlusconi, no ano passado. Realizaram-se em mais de 900 cidades de toda a Itália, envolvendo 9 milhões de italianos, cerca de 20 por cento do eleitorado total.
Um dos grandes beneficiados pelo voto de protesto foi o Movimento Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, que centrou a sua campanha nos ataques aos grandes partidos e na proposta de que que a Itália deixe a zona do euro.
Em Parma, norte do país, o Cinco Estrelas conseguiu 20 por cento dos votos, e o Povo da Liberdade (PDL, de Berlusconi), que antes governava a cidade, foi relegado à quinta colocação. Em Génova, cidade de Grillo, o seu movimento obteve 15 por cento, e o PDL também ficou em quinto, segundo resultados preliminares.
"Grillo confirmou a sua existência política. Ele é o grande vencedor", disse Maurizio Pessato, vice-presidente do instituto de pesquisas SWG à agência Reuters. "A fraqueza do PDL [de Berlusconi] foi confirmada, talvez seja o maior derrotado destas eleições."
Outro resultado que chamou a atenção foi o de Palermo, a capital da Sicília, onde o partido do ex-juiz Antonio Di Pietro, a Itália dos Valores, vence as eleições por larga margem, com o apoio da Refundação Comunista, enquanto que as coligações de centro-direita e de centro esquerda somadas não têm mais de 30%. A Itália dos Valores tem como centro da sua política a luta contra a corrupção, mas tem sistematicamente votado contra as medidas económicas de Monti.
O líder do Partido Democrático, de centro-esquerda, disse que as eleições foram “uma revolução política” devido ao “verdadeiro tsunami para a centro-direita”. Para ele, as eleições representaram “a derrota da austeridade cega receitada pelo Banco Central Europeu, que atira todos para baixo. Devemos agora ir na direção oposta, a que pode salvar-nos do naufrágio”.
Em cidades onde nenhum candidato obtiver maioria, haverá segundo turno em 20 e 21 de maio.