A ministra responsável pela pasta do Trabalho, Elsa Fornero, recusou-se a entrar em pormenores sobre o plano de reforma do mercado laboral limitando-se a informar que assenta no conceito de “flexisegurança” que serve de mote a todos os governos da Zona Euro. Evitar os trabalhadores “demasiado protegidos” para apoiar os “privados de proteção” é o único segredo desvendado pela ministra além das medidas que já são conhecidas por estarem a ser sucessivamente anunciadas noutros países: facilitar os despedimentos e reduzir as indemnizações por despedimento e os subsídios de desemprego, além de “flexibilizar” os horários de trabalho.
Segundo as contas do governo divulgadas pela ministra, as medidas relacionadas com o mercado de trabalho e a liberalização da economia vão proporcionar um aumento de produtividade em 10 por cento e um aumento do PIB também em 10 por cento. As intenções governamentais italianas estão a ser aplicadas na mesma ocasião em que a Organização Internacional de Trabalho divulga um relatório segundo o qual estas medidas, replicadas das aplicadas na Alemanha desde 2003 dentro do conceito de “flexisegurança”, estão na origem da crise da Zona Euro.
A liberalização da economia anunciada pelo governo Monti é uma reprodução da adotada na Grécia há ano e meio e que, além de ter agravado o problema da dívida soberana lançou o caos social no país. Trata-se de abrir à concorrência numerosos sectores como táxis, farmácias, transportes públicos locais, correios, seguros, bancos, postos de combustíveis, uma privatização acelerada do país.
Tal como aconteceu na Grécia, facto que marcou a aceleração da desestabilização que se tornou o quotidiano do país, vários destes sectores como táxis e outros transportes, escritórios de advogados, farmácias, distribuidores de combustíveis entraram em greve e adotaram outras formas de luta como protesto. A Fedefarma, associação de farmacêuticos, prometeu já a adoção de “formas extremas de contestação”.
Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.