Itália faz greve geral contra austeridade

06 de setembro 2011 - 15:41

A CGIL, principal central sindical, paralisa o país e enche as praças de cerca de cem cidades. Acusa Berlusconi de decretar mais impostos aos trabalhadores e reformados e fazer cortes na Saúde, sem garantir o equilíbrio das contas públicas nem favorecer o crescimento nem o emprego.

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Manifestação em Bolonha durante a greve geral. Foto de Il Fatto Quotidiano

Milhares de pessoas responderam ao apelo da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), a principal central sindical do país, com mais de cinco milhões de filiados, e paralisaram o país com uma greve de oito horas por turno de trabalho. A greve não teve a adesão de outros sindicatos mais moderados, como a central CISL, mas teve especial incidência nos transportes públicos das principais cidades, nos comboios e aeroportos.

Ao fim da tarde, a CGIL calculou a adesão à greve em cerca de 60%. As manifestações, convocadas em mais de cem cidades, levaram muitos milhares de trabalhadores às ruas.

A mobilização é um protesto contra o plano de ajuste aprovado pelo governo em 12 de Agosto, e realiza-se no mesmo dia em que o Senado o discute. Se aprovado – e a expectativa é que seja – passará para o Congresso, cuja votação final está prevista para 20 de Setembro.

A CGIL acusa o governo de Silvio Berlusconi de decretar mais impostos aos trabalhadores e reformados e de promover cortes na Saúde, sem garantir o equilíbrio das contas públicas nem favorecer o crescimento nem o emprego.

O plano já teve várias alterações desde que foi aprovado. Entre outras medidas, o governo desistiu do chamado imposto de solidariedade, que seria pago pelas pessoas de rendimentos anuais superiores a 90 mil euros. Também caiu a exigência de 40 anos de trabalho para acesso à reforma.

Em Roma, a secretária-geral da CGIL, Susanna Camusso, advertiu que o país está "à beira do precipício" e que é preciso dar um passo atrás. Um dos cartazes exibido na manifestação tinha escrito: “Finanças irresponsáveis, política desaparecida”.