O Conselho de ministros extraordinário italiano reuniu-se esta sexta-feira para discutir medidas que pretendem levar o défice para 1,6% em 2012 e para zero em 2013. Em 2010, o défice estava nos 4,6%. Além disso, o executivo do Primeiro-ministro Sílvio Berlusconi quer travar, o mais depressa possível, os ataques especulativos dos mercados contra a Itália.
As novas medidas, assegurou Berlusconi, vão permitir uma recuperação de 20 mil milhões de euros em 2012 e 25 mil milhões em 2013. As medidas no valor de 45 mil milhões de euros quase igualam o défice orçamental que, em Junho, ascendeu a 48,2 mil milhões de euros.
Entre as medidas de austeridade destaca-se o imposto solidário que atinge directamente quem ganha mais: cinco por cento para quem receba mais de 90 mil euros, 10 por cento para quem ultrapasse rendimentos anuais de 150 mil euros. O executivo apresenta ainda cortes substanciais nos privilégios dos políticos.
Além do imposto solidário e do aumento do IVA, o governo italiano propõe-se a reduzir as despesas do Estado em mais de 8,5 mil milhões de euros, contemplando, por exemplo, cortes nas ajudas sociais.
Os planos incluem também a redução do número de províncias, agrupando-as, a par da redução do número de câmaras municipais e da privatização de empresas municipais.
Para lá dos cortes, o governo compromete-se a reforçar a luta contra a evasão fiscal e a flexibilizar as leis do trabalho.
Este pacote de medidas segue-se a um outro aprovado pelo Senado italiano a meio de Julho, que previa um plano de cortes avaliado em 70 mil milhões, até 2014, aumento de impostos e uma redução acentuada dos apoios sociais.