Segundo as projeções, as receitas são efetivamente irrisórias, 39.9 mil milhões de euros em 2012, em comparação com 39.2 mil milhões de euros em 2011. As receitas correntes (principalmente fiscais) devem aumentar apenas 1,7%. Tendo em conta que esta percentagem se encontra próxima da taxa de inflação que, provavelmente, se irá verificar, isso significa que as previsões oficiais não esperam, de todo, um aumento real das receitas.
A situação é ainda pior em termos da despesa. A despesa total deverá cair para 61.5 mil milhões de euros, contra os 64.4 mil milhões registados em 2011. No entanto, esta descida de 3 mil milhões de euros é mais do que explicada pelo declínio projetado de 6,3 mil milhões de euros em despesas de capital para socorrer bancos falidos (embora, apesar de repetidas promessas, ainda serão necessários novos fundos de resgate de 1,3 mil milhões de euros em 2012, sobre 3,1 mil milhões de euros na emissão de garantias bancárias).
Essas estimativas, na verdade o próprio nome Exchequer, são uma relíquia da história colonial criada para dar conta de quanto a Grã-Bretanha foi gentilmente concedendo empréstimos a este país (sem incluir de todo os saques do setor privado, que eram o objetivo do projeto). Um processo semelhante ocorre ainda no Norte desta ilha e é um sinal de quão pouco as perspetivas oficiais mudaram aqui nos últimos 90 anos em que ainda são usadas.
Em vez disso, a UE insiste na necessidade de uma definição do Saldo da Administração Pública (SAP) que, na verdade, inclui todos os aspetos das finanças públicas, não essas "estimativas", que têm em conta apenas uma parte das despesas e do rendimento do governo central. Em particular, inclui, ao contrário das estimativas, os pagamentos e receitas do Fundo de Segurança Social, o Fundo Nacional de Pensões, as administrações locais e outros itens. O resultado projetado para as finanças do governo segundo a medida SAP é divulgada abaixo. O défice na SAP aumenta em 2012. Isto depois de serem retirados da economia 6 mil milhões de euros mediante o aperto fiscal introduzido no Orçamento do ano passado, e da introdução de um imposto totalmente novo (e regressivo) na forma de taxa social universal. O veredito é claro: o défice está a subir, não a cair. O défice como proporção do PIB deverá estabilizar, mas apenas por causa de uma previsão de crescimento que pode, ou não, concretizar-se.

Então, quando ministros do governo de qualquer partido afirmarem confiantemente ao longo dos próximos dias que as suas medidas de Orçamento vão traduzir-se na redução do défice, a primeira pergunta deve ser, por que irão estas medidas funcionar quando todas as medidas anteriores falharam?
Talvez a segunda pergunta deva ser, se todos os cortes maciços que causaram recessão, desemprego, imigração, pobreza e miséria comprovadamente não produzem redução do défice, há realmente algum outro, não declarado, objetivo desta política?