De acordo com a organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights, sediada em Oslo, na Noruega, o número de pessoas mortas nos atuais protestos em todo o Irão aumentou para, pelo menos, 215 pessoas, incluindo 27 crianças.
Condenando “a repressão violenta contra crianças e prisioneiros”, o Iran Human Rights reitera mais uma vez a “necessidade urgente da formação de um mecanismo independente sob a supervisão das Nações Unidas” para chamar à justiça os responsáveis.
O diretor de direitos humanos do Irão, Mahmood Amiry-Moghaddam, frisou que “a violência imprudente do Estado que tem como alvo crianças e prisioneiros, juntamente com as narrativas falsas apresentadas por funcionários da República Islâmica, tornam mais crucial do que nunca que a comunidade internacional estabeleça um mecanismo independente sob a supervisão da ONU para investigar e responsabilizar os perpetradores de tais violações graves dos direitos humanos”.
1. The number of people killed in the current nationwide protests has increased to at least 215 people, including 27 children. Violent attacks and crackdowns against school children have caused public outrage in many cities.#IranRevolution #مهسا_امینیhttps://t.co/pyGt81Xw9Q pic.twitter.com/UW0vpi55Lc
— Iran Human Rights (IHR NGO) (@IHRights) October 17, 2022
Na noite de 17 de outubro, um incêndio deflagrou na prisão de Evin, em Teerão, e foram ouvidos vários tiros. Segundo os media oficiais, foram mortas oito pessoas e dezenas ficaram feridas. A televisão estatal iraniana chegou a noticiar que morreram 40 prisioneiros, tendo rapidamente corrigido o número para quatro. Depois disso, os números oficiais foram atualizados para o dobro: oito.
Iranian state TV announces that 40 prisoners in Evin prison died of smoke inhalation. An additional 61 people are injured. https://t.co/AUUcrLQ1S4
— Karim Sadjadpour (@ksadjadpour) October 16, 2022
A Iran Human Rights denuncia que muitos presos políticos foram severamente espancados e transferidos para a Prisão Rajai Shahr (Gohardasht) naquela noite ou no dia seguinte, e acusa os media oficiais de, “ao publicar narrativas falsas e distorcer factos”, procurou “retratar os distúrbios como confrontos entre prisioneiros não políticos e não relacionados com os protestos”. A ONG acrescenta ainda que o número de mortos na prisão de Evin é provavelmente maior do que a contagem oficial.
lots of activists, artists, journalists are being held in Evin. After the last night incident, no one knows what happened exactly! Families of people inside the prison are staying around the prison! It is an ongoing torture! #اوین #مهسا_امینی #Oplran pic.twitter.com/7TKAUOey6l
— IranRevolution2022 (@hbat1188) October 16, 2022
A organização reforça que o número avançado pecará por defeito, já que “inclui apenas aqueles verificados por investigadores dos Direitos Humanos do Irão”.
As 215 mortes foram registadas em 19 províncias,: Sistão e Baluchistão: 93 pessoas; Mazandaran: 28 pessoas; Curdistão: 16 pessoas; Teerão: 15 pessoas; Gilan: 14 pessoas; Azerbaijão Ocidental: 13 pessoas; Kermanshah: 10 pessoas; Alborz: 6 pessoas; Khorasan-Razavi: 4 pessoas; Isfahan: 3 pessoas; Kohgiluyeh e Boyer Ahmad: 2 pessoas; Zanjan: 2 pessoas; Qazvin: 2 pessoas; Azerbaijão Oriental: 2 pessoas; Semnan: 1 pessoa; Ilam: 1 pessoa; Bushehr: 1 pessoa; Khuzistão: 1 pessoa; Ardabil: 1 pessoa. O maior número de mortes foi registado nos dias 21, 22 e 30 de setembro.
A Iran Human Rights também recebeu inúmeros relatos de prisões em massa de manifestantes e ativistas da sociedade civil que foram identificados por serviços de informação. “O uso de tortura e maus-tratos contra manifestantes foi amplamente divulgado, com pelo menos duas mortes sob custódia”, escreve a ONG, que acrescenta que famílias reportaram que “os seus entes queridos estão sob pressão para forçar confissões gravadas”.
A 30 de setembro, um grupo de pessoas reuniu-se após a oração de sexta-feira em Zahedan para protestar contra a violação de uma menina balúchi de 15 anos pelo chefe de polícia de Caponta. A Campanha de Ativistas Balúchi avançou que 93 pessoas foram mortas. Algumas “morreram devido aos ferimentos desde a repressão sangrenta”.