Entre o primeiro semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2024, o investimento estrangeiro em imobiliário triplicou o valor dos investimentos em stocks. São empresas, fundos, bancos e particulares sediados fora do país que investem e especulam no mercado imobiliário português.
Os dados são avançados pelo Diário de Notícias, e estão relacionados com a informação divulgada pelo Banco de Portugal relativa ao aumento em mais de 55% do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) nos últimos 10 anos.
No imobiliário o total de investimento passou dos €4,9 mil milhões em 2014 para €15 mil milhões este ano. O peso do imobiliário dentro do IDE aumentou tanto que passou de sexto para quarto no ranking das atividades económicas de referência deste investimento. Juntando o setor da construção ao do imobiliário, o investimento total passa a perfazer €18,5 mil milhões, mais de 10% do total do IDE.
Segundo os dados do Banco de Portugal, a Espanha é o país de onde entra mais investimento estrangeiro em Portugal, seguido dos Países Baixos e o Luxemburgo.
A especulação imobiliária tem sido uma das principais causas da crise de habitação em Portugal, aumentando os preços das habitações e, consequentemente, das rendas. O movimento pelo direito à habitação tem tomado como reivindicação o fim das isenções fiscais para o imobiliário de luxo e fundos imobiliários estrangeiros e o fim do Estatuto de Residente Não Habitual e o fim dos vistos gold por compreender que o investimento estrangeiro e o incentivo à especulação têm agudizado a crise habitacional.
Os dados registados, que remontam a janeiro de 2014, dão indício de que o aumento do investimento estrangeiro em Portugal começou precisamente quando terminou o programa de ajustamento da troika. Ou seja, que o investimento externo em Portugal aumentou por aproveitar-se da desvalorização interna da economia, cujos baixos salários e preços tornaram mais sedutora aos olhos dos investidores estrangeiros.