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Investigadores lançam guia sobre 25 espécies de tubarões existentes nos Açores

A equipa de investigação tem como objetivo combater as capturas acidentais e a pesca ilegal, estudar e divulgar estes animais e a variedade de espécies que existem nos Açores. A região é dos poucos locais do mundo onde é possível nadar com o tubarão azul.
Tubarão azul fotografado ao largo dos Açores, 2 de junho de 2013 – Foto de Nuno Sá/Lusa
Tubarão azul fotografado ao largo dos Açores, 2 de junho de 2013 – Foto de Nuno Sá/Lusa

Segundo a agência Lusa, a equipa de investigadoras e investigadores integra o Okeanos – Centro de Investigação e Desenvolvimento da Universidade dos Açores. O guia foi lançado pelo Centro Okeanos em colaboração com o Observatório do Mar dos Açores,

Em declarações à Lusa, Laurence Fauconnet, especialista em ecologia marítima e porta-voz da equipa, diz que o guia “foi concebido de forma mais direta para os pescadores dos Açores que pescam com palangre de fundo e linha de mão”, sendo o objetivo “ajudar na identificação das espécies”.

Laurence Fauconnet aponta que o guia pretende divulgar a “diversidade de espécies de tubarão que existem nos Açores”, onde "já foram capturados dois indivíduos que eram desconhecidos no mundo”. Com a iniciativa pretende-se também também “ter mais informação sobre a captura” destes tubarões, visando apurar se a sua população “é sustentável e não está em risco”.

A investigadora refere que as espécies que predominam no mar dos Açores são o tubarão gata lixa, uma espécie “bem conhecida dos pescadores”, o tubarão lixinhas-de-fundura, que apresenta três variedades na região, a par do tubarão sapatas, onde existem duas variedades brancas e uma preta, bem como os tubarões xara-brancas e carochos.

O guia inclui “informação sobre a sua ecologia e como melhorar a sua sobrevivência após captura acidental, com recomendações de boas práticas de manuseamento” e apresenta ainda “factos curiosos e singulares de cada uma destas espécies, baseando-se no mais recente conhecimento científico”.

A equipa de investigação espera com este trabalho “contribuir para a consciencialização de todos da necessidade de conservar os tubarões de profundidade e os seus habitats, e “despertar a curiosidade sobre estes fascinantes animais, sobre os quais existe ainda um grande desconhecimento".

Tubarão azul

O arquipélago é “um dos poucos locais do mundo onde é possível nadar com um dos peixes mais rápidos dos oceanos: o tubarão Azul” e, com o crescimento do turismo, os Açores têm vindo a ser procurados para o mergulho com tubarões.

O fotógrafo português Nuno Sá salientava em 2013 que o volume de negócios do mergulho com tubarões nos Açores gerava então dois milhões de euros de receitas de forma direta e indireta.

Segundo a Lusa, o mergulho com tubarões azuis é possível em várias ilhas do arquipélago, mas o local mais visitado e berço desta atividade é o monte submarino Condor, localizado a cerca de 10 milhas do Faial e acessível a partir desta ilha e da ilha do Pico.

Combate à pesca ilegal

A organização “Sharkproject”, sharkproject.org, que é apoiada pela Associação de Operadores Marítimos dos Açores (AOMA), enviou em 2019 uma carta ao presidente do governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro, alertando para “uma evolução inquietante nos Açores e nas suas águas territoriais (e 200 milhas da sua Zona Económica Exclusiva)" de pesca ilegal.

A Sharkproject, que tem uma campanha sobre os Açores, alerta para a captura industrial de peixe e para o risco de extinção dos tubarões, salienta que no ecossistema do Atlântico, os Açores “têm uma importância fundamental para a natureza e os seus seres vivos, tanto debaixo como acima da água” e defende que a conservação deste "singular ecossistema central" é "uma tarefa crucial para a humanidade".

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