A Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena) propõe a necessidade de pareceres científicos para ser possível pescar em águas profundas. Tal medida poderia implicar a redução da captura de peixes como o goraz e peixe espada preto.
Esta proposta é feita no âmbito de um apelo de sete organizações não governamentais da área do ambiente aos governos para que limitem a pesca e minimizem os impactos da atividade no mar profundo.
Segundo um parecer do Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (CIEM), a maioria dos peixes de profundidade na área da União Europeia (UE) permanece em condições preocupantes, não havendo dados suficientes para uma avaliação adequada.
Em declarações à agência Lusa, a Sciaena afirma que “Portugal tem algumas pescarias de profundidade, nos Açores, na Madeira e na costa continental, que dependem dessas medidas”.
A proposta de criação de pareceres científicos aplica-se sobretudo ao goraz (um peixe pescado maioritariamente nos Açores) e peixe espada preto (pescado na costa continental e Madeira).
“O que temos verificado, ao longo dos anos, são passos muito lentos para conhecermos estes ‘stocks’, para acumular mais conhecimento científico que nos permita ter mais confiança nas medidas de gestão que tomamos”, afirmou o responsável pela associação, considerando haver, por outro lado, “uma certa relutância em seguir os pareceres científicos, que são precaucionais, para estas espécies”.
A exceção apontada a esta situação é a dos Açores, onde se tem verificado “a adoção de várias medidas de gestão para controlar a forma como se pesca estas espécies”, mais sensíveis do que a maior parte das que vivem a menores profundidades. Devido a estas medidas, o Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (CIEM) admitiu o aumento da captura deste peixe para 2021, ampliando a quantidade permitida pra 610 toneladas.
“É urgente gerir estes ‘stocks’ com estas precauções e seguindo à risca o que a ciência nos diz”, afirmou, lembrando tratar-se de espécies “muito sensíveis e que se forem postas em causa vão demorar muito tempo a recuperar”.
Este apelo é feito pela Sciaena em conjunto com as organizações Birdwatch Ireland, Dutch Elasmobranch Society, Ecologistas en Acción, Fundació ENT, Oceana, Our Fish, e Seas At Risk. Os ativistas ambientalistas apelam aos governos europeus para que criem limites de pesca, reduzindo os impactos da atividade no mar profundo, dada a vulnerabilidade das espécies e escassez de ‘stocks’.