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"Interior não pode ser visto como minas e eucaliptos, tem de ser visto como gente que aqui vive"

A coordenadora do Bloco de Esquerda voltou esta manhã a defender o investimento na ferrovia e na mobilidade nas regiões do interior, mais importante ainda numa altura em que se preveem grandes investimentos no país.
Fotografia De Diego Garcia.

Catarina Martins chamou esta quinta-feira a atenção para a necessidade de incluir o interior na lista de investimentos que serão feitos nos próximos em Portugal, em particular a ferrovia e a mobilidade nesta zona do país. “Quem vive no interior não tem praticamente transportes públicos. A ferrovia é pouca, autocarros não existem, e as populações ficam isoladas e sem transportes”, alertou.

As declarações foram feitas à comunicação social após uma viagem de comboio na linha da Beira Alta, da Guarda a Mangualde, em que a coordenadora do Bloco de Esquerda alertou para a importância da ferrovia e da sua modernização, nomeadamente da linha da Beira Alta, mas também o aumento da oferta deste meio de transporte, como deverá ser o investimento no corredor internacional Aveiro - Viseu - Mangualde - Vilar Formoso.

“Temos um enorme problema de ligações e mobilidade no interior do país”, começou por alertar, lembrando a necessidade de destacar as questões da ferrovia e da mobilidade no interior “precisamente porque o país está a tomar decisões muito importantes sobre os grandes investimentos que vamos fazer”. 

E a necessidade de incluir estas duas questões nos grandes investimentos futuros torna-se ainda mais urgente após a análise do plano de investimento apresentado ao governo por António Costa e Silva. 

“O plano de investimento elaborado por António Costa Silva olha para o interior e vê minas e eucaliptos. O Bloco de Esquerda olha para o interior e vê a gente que aqui vive. E vê gente que quer aqui viver se puder e se tiver condições”, afirmou Catarina Martins. 

“E isso significa que tem de haver um investimento determinado na ferrovia do interior para servir as populações do interior, e na mobilidade e nos transportes de uma forma geral”. 

O partido apresentou há algum tempo no Parlamento um plano ferroviário nacional, no qual a prioridade era ligar todo o país através da ferrovia. 

O objetivo, lembrou Catarina, era de ligar “todas as capitais de distrito” pela ferrovia e o transporte ferroviário ser o transporte habitual das pessoas, num país em que apenas 5% dos passageiros e das mercadorias viajam por esta via. 

“Mas a ferrovia é o transporte do futuro do ponto de vista ambiental, do ponto de vista económico, e portanto precisamos de aumentar muito este investimento”.

A população do interior tem poucos ou nenhuns transportes públicos, além de pagarem as portagens mais caras - “em auto-estradas que foram prometidas sem portagens” -, e o investimento na ferrovia nesta região está constantemente atrasado. 

“E é por isso que achamos que neste momento, em que se fazem escolhas determinantes sobre como é que o país vai vencer a crise que está a viver, a ferrovia e transportes no interior são essenciais”. 

“O interior não pode ser visto como minas e eucaliptos, tem de ser visto como gente que aqui vive, que aqui trabalha, que precisa de transportes”, sendo para isso fundamental desenvolvê-lo do ponto de vista económico, laboral e ambiental, defendeu Catarina Martins.

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