Repressão

Intelectuais de esquerda detidas e agredidas em Cuba

24 de junho 2024 - 12:26

Historiadoras foram detidas quando se dirigiam a Havana, onde fariam um protesto diante da estátua de José Martí. Segurança do Estado afirma que elas podem viajar livremente, mas a prática mostra que é o oposto que acontece.

porLuís Leiria

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Alina Bárbara López e Jenny Pantoja
Alina Bárbara López e Jenny Pantoja (Facebook CubaxCuba)

As historiadoras e professoras cubanas Alina Bárbara López Hernández e Jenny Pantoja Torres foram detidas pela Segurança do Estado quando se dirigiam a Havana para realizar um protesto pacífico no parque central da capital cubana, junto à estátua de José Martí, herói da independência de Cuba. Ambas foram agredidas por agentes da Polícia que interceptaram o carro onde viajavam. Depois de identificadas, foram agredidas inesperadamente, passando depois a serem elas mesmas as acusadas de agressão (a oficiais da Polícia!). Com isso, foram conduzidas de volta a Matanzas, cidade a cerca de 100 quilómetros da Havana, onde ambas moram.

Interrogada por um membro da Segurança do Estado, Alina Bárbara questionou se estava detida e se estava proibida de viajar a Havana, ao que o agente respondeu negativamente, com um sorriso sardónico.

Uma voz incómoda a ser silenciada

“A primeira vez que a Segurança do Estado bateu à minha porta, no dia 25 de outubro de 2022, eu jamais tinha feito outra coisa que não fosse escrever sobre a realidade do meu país com análises argumentadas que em nenhum caso apelavam à violência (nunca o fizeram nem nunca o farão), e sim às evidências económicas, sociais, políticas e históricas para propor a inadiável necessidade de transformações profundas”, escreveu Alina Bárbara após esta última detenção. Ainda assim, era uma voz incómoda que tinha de ser silenciada.

A perseguição à intelectual assumidamente de esquerda foi implacável: a Segurança do Estado forçou a direção da La Joven Cuba, publicação muito atuante e crítica do governo, que Alina Bárbara coordenava politicamente, a demiti-la. No dia 18 de abril, a historiadora foi pela primeira vez impedida de ir a Havana, usando a polícia o mesmo método que agora. Foi processada, condenada por desobediência a uma multa que se recusa a pagar. Entretanto, ajudou a fundar uma nova publicação, CubaxCuba, que se define como Laboratório de Pensamento Cívico.

A pressão policial não conseguiu os seus objetivos que, em última instância, seriam de levá-la a fazer uma negociação para sair de Cuba, coisa que ela se recusa a fazer.

Programa

Rumo à Cuba pós-embargo

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O programa que Alina Bárbara López Hernández defende nos seus protestos é simples:

1. Uma Assembleia Nacional Constituinte eleita democraticamente para redigir uma nova Constituição aplicável em todas as suas partes.

2. Que o Estado não se alheie da crítica situação de idosos, reformados, pensionistas e famílias que estão em pobreza extrema.

3. Liberdade para os presos políticos, sem exílio obrigatório.

4. Que cesse a perseguição a pessoas que exercem a sua liberdade de expressão.

Recentemente, acrescentou mais um ponto: que sejam prestados cuidados médicos imediatos ao professor Pedro Albert, doente na sua injusta prisão e a quem nem sequer entregam os medicamentos levados pelos familiares.

Leia aqui os relatos da detenção e agressão sofridas pelas duas historiadoras.

Luís Leiria
Sobre o/a autor(a)

Luís Leiria

Jornalista do Esquerda.net