Instituto da Droga e da Toxicodependência despede 200 trabalhadores

30 de outubro 2010 - 0:04

Contenção orçamental impõe despedimentos. O representante do IDT reconhece que este corte levará ao encerramento de serviços, põe em causa acompanhamento de proximidade e traduz-se no abandono de tratamentos.

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Desde 2002, o IDT não tem mapa de pessoal, tendo que recorrer a trabalho precário.Foto de Tonymadrid Photography, Flickr.

O Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) vai despedir 200 trabalhadores precários, entre os quais, enfermeiros, psicólogos e técnicos de Serviço Social.

João Goulão, presidente do IDT, assumiu à TSF que possivelmente serão encerrados alguns serviços e que o princípio de proximidade é posto em causa. Segundo este responsável, será feito «um esforço de rearranjo do pessoal disponível concentrando em unidades que possam dar resposta à população, mas recuando neste esforço de proximidade”. Será necessário, adianta ainda, “concentrar em algumas unidades os recursos disponíveis para que possam atender toda a população que os procure”, ainda que deixe de ser possível “ser tão pro-activos e ir quase à porta das pessoas instalar dispositivos para os atender».

O despedimento destes trabalhadores justifica-se pelos cortes orçamentais impostos pelo governo. «As condições de dificuldades económicas que o país atravessa tornaram impossível manter o contributo de técnicos contratados sem vínculo definitivo ao serviço», declarou João Goulão.

O presidente do IDT chega ainda a reconhecer que este corte “poderá significar que algumas das pessoas hoje incluídas em tratamento venham a abandonar e a outras, que poderiam aceder aos serviços de tratamento, não lhes chegue».

Os trabalhadores precários alvos de despedimento têm satisfeito necessidades permanentes do IDT e, portanto, deveriam ser integrados neste instituto. Desde 2002, data da criação do IDT, resultante da fusão de dois organismos da luta contra a droga, nunca existiu um mapa de pessoal. João Goulão justifica-se: "Nunca tivemos a hipótese de fazer um concurso e admitir técnicos para o nosso mapa de pessoal, porque nunca foi autorizado", o que resultou na utilização de "figuras de contratação mais ou menos temporárias".