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Insolvência da Tegopi leva Estado e privados a tribunal

A insolvência da Tegopi, fabricante de torres eólicas, desencadeou um conflito do Estado com a Quintas & Quintas, que bloqueou o resgate de 5 milhões de euros de financiamento público na empresa. Em risco continuam 250 postos de trabalho.
Foto fiequimetal.pt.
Foto fiequimetal.pt.

A Tegopi, empresa fabricante de torres eólicas de Vila Nova de Gaia, está em insolvência desde maio e desencadeou agora um conflito judicial entre o acionista privado e o Estado, reporta o Jornal de Negócios. O Estado avançou para a justiça para recuperar 5,5 milhões de euros que tem investidos na empresa, cujo resgate o acionista privado Quintas & Quintas recusou viabilizar.

Há 10 anos, o Estado investiu 5,5 milhões de euros na Tegopi através do Fundo autónomo de apoio à concentração e consolidação de empresas (FACCE), um fundo que integra o PME Investimentos, programa estatal de apoio às empresas. O investimento resultou de uma candidatura apresentada pelo principal acionista da Tegopi, a Companhia Industrial Quintas & Quintas, com vista à reestruturação e expansão da empresa. Em troca, o Estado ficou com 70% do capital da empresa, mas apenas 30% dos direitos de voto.

A energia eólica tem estado em expansão por todo o mundo, beneficiando empresas portuguesas com presença e expressão no setor. Apesar disso, a Tegopi passa dificuldades há alguns anos. No ano passado, faturou 35 milhões de euros com prejuízos de dois milhões de euros, agravando dívidas que totalizam 30,6 milhões de euros. Entre os 272 credores da empresa destaca-se o grupo CGD e a Segurança Social, que reclama 555 mil euros. No processo de insolvência, segundo o Jornal de Negócios, a empresa atribui as dificuldades à deterioração das margens de lucro no setor das torres eólicas, ao não pagamento de devedores sobre os quais é credora, e ao elevado fundo de maneio que a atividade exige, que vale 90% das suas vendas.

O Estado foi protelando a sua saída da Tegopi. Segundo afirmou ao Negócios o presidente da PME Investimentos, Marco Fernandes, esta já queria ter vendido a sua participação em 2013 e 2017, mas protelou "para não penalizar a empresa". Fernandes acrescentou que o acionista público busca há dois anos outro investidor para a Tegopi, sem sucesso. Por fim, em 2018 o Estado exerceu judicialmente o direito de saída, mas "o grupo Quintas & Quintas achou que não deveria pagar ao fundo público aquilo com que se tinha comprometido", afirmou Fernandes.

O conflito entre o Estado e a Quintas & Quintas pelo 5 milhões investidos passa agora para um tribunal arbitral. Num episódio à parte, o Estado também interpôs uma providência cautelar para impedir a administração da Tegopi de contabilizar como incobráveis 13,5 milhões de euros que concedeu em crédito ao seu acionista privado. A Quintas & Quintas atravessa dificuldades que já a tinham levado no verão passado a vender a Solidal, fabricante de cabos elétricos que é o maior empregador de Esposende, ao fundo de investimento londrino Njord Partners. Em risco na Tegopi estão cerca de 250 trabalhadores.

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