Os reguladores do setor dos lares de terceira idade da Inglaterra e da Escócia estão a manter secretos os números de mortes por covid-19 para “proteger interesses comerciais”, avança o Guardian.
O CQC inglês, Care Quality Commisson, e o CI escocês, Care Inspectorate, recusaram providenciar os dados sobre quais são os lares, que nestes países são essencialmente privados, onde há mais vítimas mortais. Para se justificar defendem que a sua divulgação poderia afetar negativamente as empresas que os operam, levando as pessoas a escolher outros estabelecimentos. O CQC acrescentou que haveria “risco de criar confusão acerca de prevalência, disseminação ou impacto do vírus.”
O jornal perguntou o que pensam várias pessoas que têm um familiar num dos lares de terceira idade destes países e encontrou sentimentos de oposição à política do ocultamento sistemático.
Uma das citadas é Shirin Koohyar, uma mulher cujo estava numa instituição de Londres e que morreu em abril de covid-19, declarou que “interesse comercial quando as vidas das pessoas estão em risco não devia ser um fator”. Helen Wildbore, dirigente da Associação de Residentes e Familiares, concorda “é claramente correto que residentes e familiares devem receber informação acerca do situação da covid no lar de forma a ter uma decisão informada sobre onde irão viver”.
Apesar do regulador não especificar, algumas das empresas forneceram dados gerais sobre o número de pessoas que faleceram nos lares que operam. De acordo com estes dados, a maior operadora de lares do Reino Unido a HC-One terá mais de mil mortes, a Care UK terá 642 e a Four Seasons Health Care terá 567, a Bupa 266, sendo que apenas revelou dados de mortes já confirmadas terem ocorrido devido ao novo coronavírus mas recusa dar dados sobre o número de óbitos que se suspeita terem ocorrido devido à doença.
Conhece-se ainda o número geral mortes em lares britânicos: 17.721.
E o setor teme uma crise já que as taxas de ocupação dos lares estão a descer e as medidas sanitárias fazem os custos de pessoal e equipamentos subir.
O Guardian faz ainda questão de incluir na sua reportagem, os dados de duas investigações recentes sobre infeções em lares uma que mostrava que é vinte vezes mais provável que aconteçam surtos de coronavírus nos lares maiores, outra que associa as taxas de infeção com os rácios de trabalhador por residente.