Na manhã deste sábado, os trabalhadores das lojas do Grupo Inditex no distrito do Porto fizeram uma greve pelo cumprimento do contrato coletivo de trabalho do setor do comércio. Para além disso, houve uma concentração em frente ao NorteShopping.
A multinacional espanhola, dona da Zara, Pull&Bear, Massimo Dutti, Bershka, Stradivarius, Oysho e Zara Home, não paga os retroativos em dívida desde 2019 e não atribui o descanso compensatório pelos sábados trabalhados denuncia o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal. Estes direitos, alerta, estão fazem parte do CCT deste setor.
Ao Jornal de Notícias, Inês Branco, coordenadora da Direção Regional do Porto, Vila Real e Bragança do CESP, esclarece que as trabalhadores “exigem aquilo que já está previsto no contrato coletivo e que outras empresas cumprem. Desde 2019 que deviam ter direito a descanso compensatório por cada domingo trabalhado, o que continua por aplicar”.
Segundo este acordo, o trabalho ao domingo deve estar a ser pago ao dobro e os feriados ao triplo. A direção ressalva que há houve alguns pagamentos retroativos feitos mas que o descanso compensatório está de todo por aplicar. Fátima Correia, trabalhadora da Zara há 21 anos, confirma: “já recebemos parte do que era devido, mas falta o descanso dos domingos. Tentámos o diálogo, mas nunca nos responderam.”
A dirigente sindical acrescenta que tentaram “mais do que uma vez” negociar com a Inditex “que se recusou a responder”. E vinca: “a empresa continua a faturar milhares de milhões e a recusar-se a cumprir direitos fundamentais”. Por isso, “é incompreensível que uma empresa com lucros de quase seis mil milhões de euros recuse cumprir a legislação laboral”.
O protesto limitou-se ao Porto porque este tem um contrato coletivo para o setor e noutras regiões os direitos foram cumpridos depois também de terem existido protestos.