Para os presidentes da câmara baixa e alta do Parlamento tratar-se-ia apenas de uma forma de castigar condutas inaceitáveis e de tornar possíveis os trabalhos parlamentares face à “anarquia”. Para a oposição, pelo contrário, é um “assassinato da democracia”. 141 deputados indianos de onze partidos da oposição, ou seja dois terços desta, foram suspensos dos seus mandatos durante o resto da sessão legislativa de inverno, período durante o qual importantes dossiers como o orçamento, a regulamentação de telecomunicações e a administração da capital serão votados.
O pretexto para a exclusão dos representantes políticos democraticamente eleitos foi dado por um protesto que aconteceu a semana passada, quando seis pessoas conseguiram entrar no Parlamento e lançar aí gases coloridos inofensivos. Estes utilizaram um cartão de convite de um deputado do partido do primeiro-ministro Narendra Modi. A oposição queria explicações do ministro do Interior, Amit Shah, mas a presidência do Parlamento recusou. Seguiu-se um protesto ruidoso com cânticos e com pancartas, algumas com a cara de Modi.
Na passada segunda-feira, os presidentes das duas câmaras parlamentares anunciaram uma suspensão destes deputados por “má conduta grave”, pois não seriam permitidas pancartas nas instalações do parlamento.
A RFI cita Karti Chidambaram, do outrora maioritário Partido do Congresso, que refere: “fui suspenso apesar de não ter mostrado nenhuma pancarta e não fui o único. O Governo purga do Parlamento todas as vozes da oposição para fazer passar as suas reformas sem mesmo uma contradição simbólica”.
Ao Guardian, Shashi Tharoor, dirigente do mesmo partido e também ele suspenso, diz que “infelizmente, temos de começar a escrever obituários para a democracia parlamentar na Índia”. E Manish Tewari, também do Partido do Congresso, suspeita que a suspensão tem a ver com a vontade de introduzir leis criminais “draconianas”.
O jornal britânico cita ainda Sushil Kumar Rinku, do partido Aam Admi, que diz que “quem fala verdade e questiona foi suspenso do Parlamento”.
A grande maioria dos deputados suspensos pertencem à coligação INDIA, Aliança Indiana para o Desenvolvimento Nacional Inclusivo, que junta 28 partidos, o maior dos quais o Partido do Congresso, e que desafiará o BJP nas próximas eleições de maio.