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Imane Khelif avança com ação judicial por cyberbullying visando Elon Musk e J.K. Rowling

14 de agosto 2024 - 13:12

Pugilista que sofreu com discurso de ódio e assédio digital avança com queixa-crime contra autores de mensagens de ódio e informações falsas na rede social X. Entre os visados estão J.K. Rowling e Elon Musk. Donald Trump também será investigado.

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Imane Khelif com medalha de ouro
Fotografia via Facebook de Imane Khelif

A pugilista argelina Imane Khelif, que é agora medalhista de ouro olímpica, avançou com uma queixa-crime na justiça francesa por causa da campanha digital de cyberbullying lançada contra a sua pessoa depois de vencer um combate contra a italiana Angela Carini. A escritora J. K. Rowling e o multimilionário Elon Musk são dois dos visados no processo.

O advogado de Khelif confirmou também que Donald Trump, o antigo presidente norte-americano e candidato às eleições de novembro também faria parte da investigação. “Trump tuítou, portanto quer faça ou não parte da queixa-crime, será inevitavelmente investigado como parte do processo judicial”, disse Nabil Boudi.

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A queixa-crime foi intentada contra a rede social X, comprada por Elon Musk. Por isso, Boudi garante que o processo judicial tem a abertura para investigar todas as pessoas que escreveram mensagem odiosas e espalharam informações falsas contra Khelif.

A tempestade digital contra Khelif começou com acusações falsas de que a pugilista seria na verdade um homem, uma mulher trans ou uma pessoa intersexo, depois da sua adversária Angela Carini ter desistido do combate logo após levar um soco na cara, ao fim de 43 segundos. Várias figuras mediáticas lançaram acusações mais ou menos explícitas contra Khelif, perpetuando o estigma e fomentando as informações falsas. Entre essas figuras estão a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o candidato a vice-presidente dos Estados Unidos J.D. Vance, mas também os visados na queixa-crime, Elon Musk e J. K. Rowling.

A autora da saga Harry Potter, que se tem tornado infame nas redes sociais pelas suas posições transfóbicas, acusou a pugilista argelina de ser um homem que gostou “de ver o sofrimento na cara de uma mulher que esmurrou na cara”, depois do combate com Carini. Já Musk, o proprietário da Tesla, X, Starlink e de outras empresas, partilhou depois desse mesmo combate uma afirmação que dizia que “os homens não pertencem nos desportos das mulheres”, comentando “absolutamente”.

Donald Trump e o seu candidato a vice-presidente, J.D. Vance, aproveitaram também a situação para procurar ganhos políticos, afirmando que manteriam os homens “fora dos desportos das mulheres” e culpando a alegada transgressão de género no combate na política de Kamala Harris.

O advogado de Khelif garantiu que apesar da queixa-crime ser acionada nos tribunais franceses, teria a liberdade de afetar pessoas noutros países e continentes, confirmando aos media que existe a possibilidade do gabinete da acusação pode pedir assistência aos sistemas judiciais de outros países no combate ao discurso de ódio online.

Segundo o treinador da pugilista, a tempestade mediática e o discurso de ódio terá tido um grande impacto no estado psicológico da atleta que, apesar de ganhar a medalha de ouro, terá ficado afetada pela situação.