Representando mais de dois milhões de trabalhadores, o IG Metall é considerado o maior sindicato europeu e o maior do mundo no seu setor tradicional, a metalurgia. Na véspera do 1º de maio, Jörg Hofmann, o seu presidente, defendeu a implementação da semana de trabalho de quatro dias, o que implicaria passar de uma semana de 35 horas para uma de 32 horas sem perda de salário.
Em entrevista ao jornal alemão Bild, o sindicalista vincou que a prioridade neste aspeto deve ser dada aos trabalhadores manuais e aos trabalhadores por turnos e que o tema irá para a mesa das negociações já no próximo outono.
Hofmann defende que “um fim de semana de três dias é uma boa pausa” para aqueles que têm de “trabalhar um dia de madrugada, depois à tarde e depois à noite” como os trabalhadores dos altos-fornos. E acrescentou que esta forma de organização do horário dá lugar a formas mais positivas de conciliar a vida pessoa com o trabalho, abrindo portas a quem atualmente trabalha a meio tempo na empresa passassem a trabalhar a tempo inteiro. Isto corresponde a 11 milhões de trabalhadores, a maioria mulheres. Os inquéritos internos realizados pelo sindicato “mostraram claramente” que “muito mais mulheres estariam dispostas a voltar a trabalhar em tempo integral” com este modelo.
Outra das razões avançadas é tornar atrativa a profissão porque “a escassez de trabalhadores qualificados põe em risco toda a transição energética”. Estes são trabalhados que exigem “enorme resiliência e muito know-how”, diz, e uma das chaves para os tornar atrativos “é uma melhor jornada de trabalho”.
Para além disso, defende ainda que se tem verificado um aumento de produtividade onde a semana de quatro dias foi aplicada, que “os trabalhadores estão menos doentes” e “a satisfação no trabalho é maior”.