Nove em cada dez empresas que experimentaram implementar uma semana de trabalho de quatro dias no Reino Unido decidiram continuar. O balanço é considerado positivo do lado das empresas, que revelaram aumentos de produtividade, mas também do lado dos trabalhadores.
A experiência durou entre junho e dezembro do ano passado. 61 empresas concordaram aplicar uma semana de trabalho de 34 horas concentrada em quatro dias e sem qualquer perda de remuneração. No final, 56 delas, 92% do total, optaram por continuar o esquema, 18 das quais permanentemente.
A análise foi promovida pelo Autonomy, um grupo britânico de investigação, e os resultados estão plasmados num relatório. Nele se pode ler que, dos 2.900 trabalhadores de vários setores aos quais este esquema foi aplicado, 39% revelaram menos stress, 71% reduziram os níveis de burnout e “os níveis de ansiedade, fadiga e problemas diminuíram, ao mesmo tempo que a saúde mental e física melhorou”. 60% dos trabalhadores consideram que este tipo de horário aumentava a sua capacidade de combinar o trabalho com as tarefas de cuidado e 62% disseram que desta forma era mais fácil combinar o trabalho com a vida social. 15% responderam que nenhuma quantia de dinheiro os faria voltar a trabalhar cinco dias por semana.
O diretor da Campanha 4 Dias, Joe Ryle, fala em “resultados incríveis” e canta vitória: “este é um momento de avanço importante para o movimento que defende a semana de trabalho dos quatro dias”.
Contudo, não há dados que confirmem que haja uma vontade da maior parte das empresas do país de mudarem os seus horários. Pelo contrário, um inquérito conduzido o ano passado pelo Chartered Institute of Personnel and Development concluiu que muito poucas das empresas britânicas ponderavam implementar a semana de quatro dias de trabalho nos próximos três anos.
Os defensores desta mudança nos horários de trabalho esperam que os dados desta que apresentam como a “maior experiência” realizada até ao momento convençam também os empresários e não só os trabalhadores. Para isso, avançam com dados como a manutenção genérica dos rendimentos das empresas. Registou-se um aumento de 1,4% em 23 das empresas e, noutras 24, houve um crescimento em média de 35% “em comparação com período similar de anos anteriores”. E também se verificou a descida de 57% do número de trabalhadores que abandonaram a empresa e de 65% no número de baixas.
Para David Frayne, investigador em Cambridge, estes resultados são “encorajadores” e mostraram que “muitas empresas estão a transformar a semana de trabalho de um sonho numa política realista com múltiplos benefícios”.
O estudo não passou despercebido ao senador norte-americano Bernie Sanders que defendeu que “com a tecnologia a explodir e o aumento da produtividade dos trabalhadores, é tempo de avançar para uma semana de trabalho de quatro dias sem perda de salário. Os trabalhadores devem beneficiar da tecnologia, não apenas os CEO das grandes empresas”.
With exploding technology and increased worker productivity, it’s time to move toward a four-day work week with no loss of pay. Workers must benefit from technology, not just corporate CEOs.https://t.co/mIm1EpcZLu
— Bernie Sanders (@SenSanders) February 21, 2023